Morde e Assopra e as novelas que viram colchas de retalhos

Desde que estreou há um mês apenas um detalhe chamou a atenção da imprensa televisiva: a atuação de Cássia Kiss. Tirando isso aparentemente nada se salva na trama de Walcyr Carrasco. Eu discordo, vocês sabem disso.

Mas discordo não no sentido de dizer que é a oitava maravilha do mundo, não é isso. Walcyr há anos escreve sempre a mesma coisa, assim como os demais autores das antigas na poderosa. Quer dizer, nos outros canais idem.

Tirando A Favorita e agora Cordel Encantado, a criatividade bateu longe da porta dos autores. Até tentaram com Tempos Modernos, Bang Bang e Os Mutantes, mas não rolou e isso não ocorreu por aquele motivo que já citei aqui: Vamp era bizarra mas os atores convenciam.

Só que tá complicado o negócio, não?

Crianças não podem fazer absolutamente nada; “violência” é proibida quando os “telejornais” passam o dia fazendo sensacionalismo; se o público não se identifica com isso ou aquilo tem que mudar tudo e…

Acho que é esse último fato aquele que mais limita um autor, aquele que é autor de verdade.

Você tem uma história na cabeça, sabe o que vai contar e de repente é obrigado a praticamente começar uma nova história.

Já pensou se de repente o telespectador tivesse rejeitado aquele lance no início de A Favorita, quando ninguém sabia quem era a vilã? Ou se tivessem preferido  Flora como boazinha e João Emanuel Carneiro tivesse que mudar todo o andamento da produção?

Pensa que é fácil? Obra aberta não é brinquedo não, ainda mais quando os capítulos dos folhetins são revelados a todo momento na internet. Ou seja, suspense é uma coisa que não existe mais.

E aí fica complicado porque o que vale mais, uma boa história ou uma outra maluca tipo uma colcha de retalhos mas que dá audiência?

Fica a questão,

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