Novela Aquele Beijo revive comedia romântica e mostra amadurecimento de Falabella como roteirista

 *Por Wander Veroni 

“O que é que todos nós queremos no fim das contas? Alguém que nos ama, nos assuma, nos perdoe. Sim, porque quase sempre amar é uma grande troca de perdões. Quem não sabe perdoar ainda não está pronto para o amor!”. (Miguel Falabela) 

Quantas vezes você  pode ter cruzado com o grande amor da sua vida mesmo sem saber? É  com essa pergunta que o autor Miguel Falabella criou a história da nova novela das 19h, Aquele Beijo – que estreou nesta segunda-feira (17/10). Com direção de Cininha de Paula e Roberto Talma, a novela tem no elenco nomes como Giovanna Antonelli, Ricardo Pereira, Grazi Massafera, Herson Capri, Victor Pecoraro, Juliana Didone, Sheron Menezes, Fernanda Souza, Nívea Maria, Leilah Moreno e Marília Pêra, entre outros. Aquele Beijo estreou com audiência em alta, segundo o Ibope da Grande São Paulo. O folhetim registrou 35 pontos, dois a mais que sua antecessora no horário, Morde & Assopra.

Aquele Beijo é uma novela que revive o clássico de uma boa comédia romântica, além de um debate interessante sobre o consumismo. A trama conta a história da arquiteta Claudia (Giovanna Antonelli) que, pelas coincidências do destino, encontra o promotor público Vicente (Ricardo Pereira). Do acaso de um encontro, de uma amizade que vai se construindo na base da ajuda mútua, surge aquele beijo, que faz com que nasça uma nova história de amor. Uma curiosidade é que a apresentadora Xuxa Meneguel canta a música de abertura da novela – “Garota de Ipanema”, ao lado de Daniel Jobim, filho de Tom Jobim. Veja o trailer:


“Vai ser uma comédia romântica bem divertida. Todas as histórias já foram contadas, agora como contá-las é outro universo”, disse Miguel Falabella, autor de Aquele Beijo, na festa de lançamento da novela. E Falabella tem razão: a grande sacada dos roteiristas atuais é ter criatividade para contar uma boa história, que seja simples, leve, engraçada e que vá de encontro a aquilo que o público deseja.

Confesso que não esperava muito de Aquele Beijo. Mas me enganei e gostei da sinceridade do autor de assumir que a novela é uma grande homenagem aos folhetins clássicos que, alguma vez na vida, já assistimos. Antes da novela entrar no ar, li uma declaração de Falabella em que ele dizia da importância de se escolher bem o casal romântico da novela – principalmente o casal protagonista, pois eles tinham que passar verdade para o público e que isso era uma preocupação pessoal dele quando estava escrevendo.

E tenho que admitir que a escolha de Giovanna Antonelli e Ricardo Pereira foi muito acertada. A química dos dois no vídeo é uma coisa muito forte e que traz algo singelo das comédias românticas norte-americanas onde o acaso une um casal. A trama mostra um claro amadurecimento de Falabella como roteirista, com diálogos mais instigantes e personagens bem construídos. Além disso, Aquele Beijo é uma novela com linguagem própria e que teve a brilhante sacada de retomar a ideia do narrador onisciente – aquele que tudo sabe, tudo vê, trazendo textos reflexivos e que ajudam no comprometimento da cena.

Uma coisa que tenho reparado na Globo é que determinados atores só trabalham com determinados roteiristas e diretores, numa espécie de coleguismo mesmo. Isso é bom de um lado porque mostra a confiança que um autor tem no ator, mas no outro limita o artista a fazer sempre os mesmos papéis. E Miguel Falabella e Cininha de Paula trouxeram uma turma boa que sempre trabalhou com eles, principalmente no núcleo cômico, como no caso da Mãe Iara – de Claudia Gimenez, e Felizardo Barbosa- de Diogo Vilela. Outra coisa que reparei foi o fato de Fiuk ter rejeitado o papel de Antenor em Fina Estampa e ter aceitado o convite para ser Agenor (olha a semelhança?!) em Aquele Beijo. O filho de Fábio Jr parece estar interpretando ele mesmo, sendo o beijoqueiro da novela. Será que é mais fácil interpretar a si mesmo do que criar um personagem mais dramático? Não que a atuação de Fiuk esteja ruim, mas se ele quer ser ator é hora de pensar em novos personagens, de desafios.

Na outra ponta, temos a brilhante atuação de Marília Pêra – grande vilã da novela, que curiosamente parece muito mais jovem. Marília é uma atriz que consegue brincar bem com o humor e com o drama, coisa que podemos esperar muito da sua Maruscka, que esconde da família o fato de ter dado um filho para a adoção. Outro destaque é Sherom Menezes vivendo sua primeira protagonista, ao lado de Leilah Moreno, que aos poucos estão dando colorido às suas personagens, sendo uma antagonista da outra. Enquanto a de Sheron é a líder comunitária de caráter da favela, a outra é uma ambiciosa vendedora de uma loja de luxo que não mede esforços para se dar bem na vida. Atento ao público feminino, a direção da novela escalou alguns galãs que ainda não tiveram grandes chances na Globo, como é o caso de Victor Pecoraro e Raoni Carneiro que também mostraram um leve amadurecimento como atores.

Desde de TiTiTi, não via uma novela tão boa das sete, logo na primeira semana. Que fique bem claro que Aquele Beijo não é uma novela com uma história original, mas é uma história envolvente e bem contada. É possível ver vários elementos pop e referências clara às novelas mexicanas que sabem dialogar tão bem com a emoção, com o amor. O pulo do gato de Falabella foi criar personagens e cenários populares que causam identificação no público, cujos nomes são indiretas do que o autor que provocar no público. Como a mãe de Miss exagerada, a Dona Íntima, de Elisangela, e a jovem candidata a Miss, Belezinha, filha de Íntima, vivida por Bruna Marquezine. Também temos a Loja de Luxo chama Comprare, a comunidade carente – que lembra a Portelinha de Duas Caras, chama-se Covil do Bagre, o orfanato chama-se Lar da Mão Aberta.

É nítido que os anos escrevendo comédia na TV e como dramaturgo no teatro – adaptando musicais estrangeiros para os palcos brasileiros, fizeram bem a Miguel Falabella. Não me canso de repetir: Aquele Beijo foi uma deliciosa surpresa nessa primeira semana. É muito bom ver que nesse veículo tão encantado para alguns – que é a TV aberta, é possível ver um roteirista que amadureceu, aprendeu com os erros do passado. Quem não lembra dos fiascos de A Lua Me disse e Negócio da China tiveram um péssimo desempenho no Ibope, além de histórias que não caíram no gosto popular. A única novela que gostei de Falabella foi Salsa e Merengue, que foi ao ar em 1996.

Para quem gosta de uma comédia romântica leve e divertida, Aquele Beijo é uma boa pedida. Vale a pena conferir!

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.



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