Novidades no jornalismo e a importância da apuração

24 de outubro de 2010 0 Por Endrigo Annyston

*Por Wander Veroni 



Novas vinhetas, cenários, identidade visual e, acima de tudo, personalidade editorial. Nessas últimas semanas, vimos novidades interessantes no Jornal da Cultura e na Globo News. Cada uma com as suas particularidades, mas sem deixar de lado um novo fôlego para o jornalismo hardnews. Para o telespectador, a mudança pode ser apenas na estética. Mas, para quem é da área de comunicação, percebe que esse esforço das duas partes mostram querer dar uma opção diferenciada para o público para que ele não fique refém de um único formato.

No Jornal da Cultura, principalmente quando falamos em TV aberta, a nova proposta surpreende, tanto pelo cenário, quanto pelo lado editorial. Apresentado pela jornalista Maria Cristina Poli, o novo noticiário da emissora pública paulista dá um aprofundamento maior as notícias e propõe o debate – ao lado de dois especialistas convidados, daquilo que foi mais importante no dia.

Já na Globo News, a identidade visual se confunde com o editorial. As novas cores e propostas informativas trazem o dinamismo da notícia de última hora, sem deixar de lado programas que fazem um jornalismo mais reflexivo e analítico, propondo ao público estender o debate das notícias e ver que um fato pode ser visto e revisto por vários ângulos, como acontece no programa “Em Pauta” e “Estúdio i”.

Mais do que dar uma nova cara para o jornalismo, atualmente vemos poucas emissoras apostando em criar uma identidade e que saia do modelo “matriz” do Jornal Nacional, da TV Globo. E por falar em novo jornalismo, essa semana um fato político envolvendo os presidenciáveis nos desperta o debate sobre as verdades existentes dentro da notícia. Por isso que o trabalho de apuração dos fatos e, principalmente, acompanhar mais de um noticiário, nos permite enxergar quem informa e quem omite.

O episódio da “bolinha de papel” na cabeça do presidenciável José Serra (PSDB) nos faz ver que o jornalista não pode – e nem deve, ficar baseando a notícia em declarações oficiais. Precisa ir além e interpretar. É inegável que Serra foi atingido. Ponto. Isso ninguém contesta. Mas, a dramatização do candidato em torno do ocorrido precisa ser vista de outra forma, pois estamos a uma semana das eleições. Duas emissoras – Record e SBT, mostraram um fato. Enquanto a Globo deu outra dimensão e quase pagou um preço alto por causa disso. Quem não viu, basta clicar aqui (http://www.youtube.com/watch?v=zcLH6lLWi4k), ali (http://www.youtube.com/watch?v=hpgTsgpSPic) e mais aqui (http://www.youtube.com/watch?v=0YPXTukd0WY&feature=related) para tirar as próprias conclusões. Em tempo de renovação visual e editorial no jornalismo eletrônico, uma coisa nunca sai de moda: apuração e análise. O telespectador não é trouxa!
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*Autor: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.