O 11 de setembro dez anos depois: o que mudou?

10 de setembro de 2011 0 Por Endrigo Annyston

Há dez anos o mundo parou para assistir ao vivo a aquilo que todos julgariam inimaginável talvez até mesmo para as mentes mais férteis. Dezenove terroristas do grupo extremista al-Qaeda lançaram quatro aviões em um destino sem precedentes: dois aviões comerciais lançadas contra as torres gêmeas do World Trade Center, um avião se chocando contra o Pentágono e outro que caiu em um campo aberto da Pensilvânia. Um atentado de proporções gigantescas no solo de uma superpotência julgada acima do bem e do mal e deixou muito mais do que seus cerca de 3.000 mortos.

Sob comando de Osama Bin Laden, os ataques deixaram um rastro de destruição, medo e mudanças muito mais profundas do que se poderia supor. Uma década depois e elas podem ser sentidas até hoje: duas guerras com um saldo de vítimas muito maior que o imaginável, longas e onerosas a ponto de colocar uma superpotência econômica em crise; quedas de um governo clandestino como era o caso do Talibã que dominava o Afeganistão e também a queda de um ditador, como aconteceu a Saddam Hussein, no Iraque. O 11 de setembro também deu força a um mesquinho preconceito religioso e incitou crimes de ódio; colocou uma nação inteira sob estresse pós-traumático e disposta a viver restringindo sua própria liberdade em nome de segurança; e a morte de seu próprio mentor, afinal a caçada em busca por Osama terminou em uma ocasião quase propícia.

Está muito claro que, se o mundo mudou, essa mudança não necessariamente aconteceu para melhor. Agora, nesse aniversário macabro ressurgirão todas as memórias, desde as mais analíticas até as sentimentais: a reflexão de que não houve grande avanço para lugar nenhum. Houve mais males do que bens, e talvez fosse mesmo impossível mesmo esperar que este saldo fosse além da resiliência. É complicado esperar por um mundo melhor ou por um pouco de alívio quando há muito mais do que isso em jogo e quando a ideia de paz parece algo muito mais distante.

Não dá para querer que o tempo volte ou esperar que as coisas sejam as mesmas. A percepção mudou, os ferimentos e cicatrizes ficaram assim como os traumas. Como não é exatamente possível compreender a mecânica do ódio que leva a alguém a cometer tamanha barbárie, resta saber até que ponto é possível aprender com as piores tragédias: e para isso talvez dez anos continue sendo muito pouco para compreender.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)