O Astro e as consequências de um experimento que pode dar certo

16 de julho de 2011 0 Por Endrigo Annyston

O dia 12 de julho foi especial para aqueles que de alguma forma gostam de teledramaturgia, seja os nostálgicos de uma era que parecia ser dourada comparada a de agora ou para aquelas pessoas simplesmente ávidas por novidades em meio a uma programação sofrível. Na comemoração de 60 anos de telenovela no Brasil, o remake de “O Astro”, sucesso de Janete Clair estreou com todas as honras da casa com status de novela das 11h embora seu formato fosse o de macrossérie. Isso parece sinalizar um possível plano de revitalizar a grade com quem sabe mudanças drásticas?

Ok, aparentemente isso pode ser algo distante em função da necessidade de um maior planejamento, porém a obra se mostra como mais que um remake ou uma homenagem a uma data especial: significa também a experimentação de algo que ainda possa render muitos frutos mais tarde. Um plano relativamente seguro, sem grandes chances de falha em termos de audiência embora os riscos pudessem ser outros. Sendo um remake, automaticamente isso poderia representar um choque para os saudosistas ou os velhos adeptos da máxima “deixem os clássicos em paz” e esse é um aspecto que francamente faltará neste post em termos de uma análise detalhada, porém o público pareceu aceitar sem grandes observações furiosas além do que seria usual. A audiência também está ajudando, portanto as coisas parecem caminhar bem.

A história é  promissora, mesmo que seus caminhos possam ser revelados além do que possa ser considerado um spoiler normal. Seu elenco é bom, embora dois ou três nomes possam ser alvo de alguma estranheza. A história é ágil, tão ágil a ponto de não haver continuidade e algumas cenas ficarem por isso mesmo por mais impactantes que sejam. Ok, fruto da necessidade de se resumir ao máximo uma história em se estivesse em um horário mais acessível seria melhor contada, porém poderia ter sido mais pensada naquilo que diz respeito a compreensão e ao conforto de um telespectador nem sempre tão veloz.

O que mais dizer? Não sei. De minha parte espero que “O Astro” seja o primeiro de uma série de experimentos que possam ir a frente e deem ao telespectador carente a chance e o benefício da memória de um algo bom mais recente do que memórias empoeiradas.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)