O Astro, e a sorte: o que dizer quando tudo conspira a favor?

Embora o título possa parecer tremendamente clichê, provavelmente minhas razões para a escolha são de fácil reconhecimentos. A trama que ontem chegou ao seu fim pareceu ter a simpatia de todas as entidades divinas e preceitos de bons ventos, mesmo sendo uma aposta arriscada.

Sim: embora um remake possa quase sempre carregar a ideia de uma receita mais fácil em busca da tão sonhada audiência, O Astro envolvia apostas cujos maus agouros deveriam ser cogitados: a volta do estilo novelão em uma época onde a verossimilhança pretensamente é tida como mais popular, ou a simples ideia de mexer em um clássico de Janete Clair. E contra dúvidas que pudessem surgir no caminho, foi uma trama com química fluente entre os seus pares, de bom texto e bom elenco, com atores que saíram da chamada “zona de conforto” e se destacaram de forma inesperada, como Humberto Martins, Guilhermina Guinle; com o canastrão nunca antes tão desejado de Rodrigo Lombardi ao viver Herculano Quintanilha, de coadjuvantes que se superaram como Fernanda Rodrigues e Rosamaria Murtinho, e de alguém que se consagrou como diva.

Diva sim, não se trata mais de um exagero. Apenas elas se dão tanta liberdade a ponto se expor independente de tudo e de todos. Este foi o caso da Clô Hayalla de Regina Duarte. Economia? Para que? Clô era teatral, de caras e bocas que fizeram uma atriz veterana e tida como óbvia ser capaz de brilhar em cenas capazes de desmoralizar, já que o tal do dramalhão ou do novelão anda tão em demérito.

A história chegou ao fim, tendo um bom resultado e podendo ter o status de não ser somente uma homenagem ou uma entre tantas experiências que a emissora coloca no ar. Decididamente os astros parecem ter encaminhado todos os desfechos e possibilidades em prol daquilo que se julga bom e bem feito a despeito do lado óbvio e do passional. O que acontecerá diante do resultado? São tantas hipóteses que sequer vale a pena contar, mas espera-se que se faça valer: telespectador pode ser muito mais saudoso e voluntarioso do que se pensa.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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