O Astro retoma o formato novelão e faz sucesso, sendo que tinha tudo pra dar errado

A Globo decidiu homenagear os 60 anos de telenovelas no Brasil e, para tal, resolveu apostar num remake de O Astro, de Janete Clair. Exibição às 23h.

Minissérie? Não, novela. “A sua novela das 11”.

Aliás, nem minissérie, nem novela. Novelão, o folhetim retomou um formato que havia sido deixado de escanteio pelos roteiristas que apostavam em formatos atuais por acreditarem que era isso que os telespectadores queriam ver.

Uma soma de novelão, portanto, com um grande drama mexicano. Regina Duarte aparecia como a ponta do iceberg, a mais dramática de todas. Se entrássemos em sua onda estaríamos embarcando em uma viagem fantástica.

É como assistir um conto de fadas e crer que se o príncipe beijar a princesa adormecida ela acorda. Ou, como já aconteceu aqui no Brasil, vibrar com a mulher gorda que explode no final da história.

E novelas tem esse papel, o de nos fazer viajar na maionese, assim como filmes, séries. Quem disse que existe um compromisso com a realidade? No final do capítulo, quando sobem os créditos, não está escrito que é obra de ficção?

Portanto, numa obra cheia de invencionismo, cabe o protagonista virando pássaro. E vivendo, mesmo após quase virar um queijo todo cheio de furos.

Ora, numa novela comum o assassino do “quem matou” é uma única pessoa, em O Astro tivemos quatro. Um dos bandidos, Samir, queria dar um tempinho pra transar antes de pensar no que fazer.

Tia Magda, abandonada, tomou um banhinho, ficou cheirosinha e plaft, se matou.

E sabe porque cabe esse tipo de coisa? É um risco que o roteirista corre pois seu elenco pode não convencer e aí sim a obra vira um mico.

Só que O Astro veio com um dos melhores elencos da Globo e, portanto, essa viagem se tornou possível.

Eu coloquei meu cinto de segurança, gritei, gargalhei, chorei, me assustei e me aventurei demais nessa montanha russa cheia de possibilidades. O óbvio não existiu.

E é de roteiros assim que precisamos, onde, mesmo quando se trata de um remake, exista o elemento surpresa. Chega de mais do mesmo!

Como eu disse, O Astro tinha tudo pra dar errado. Formato dramático, surreal, às 23h e… como novela.

Quem diria? Acho que nem a Globo imaginava que o remake de Janete Clair bateria A Fazenda e o Pan. Aliás, ninguém imaginava.

Me curvo diante de todos os envolvidos. Adoro apreciar talentos e em O Astro foi o que mais observei. Dos atores aos responsáeis por figurinos, locação, edição. Tudo da mais alta qualidade.

Que esse seja o início de outros grandes projetos. O telespectador apreciador de bons trabalhos agradece!



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