O incrível poder de adaptação de Walcyr Carrasco

O incrível poder de adaptação de Walcyr Carrasco

3 de junho de 2013 7 Por Endrigo Annyston

Quando escreveu Xica da Silva para a saudosa Rede Manchete Walcyr Carrasco conseguiu se adaptar à linguagem que os telespectadores do canal estavam acostumados e escreveu uma novela densa, forte e erótica. A trama foi um grande sucesso, aliás, o último da Rede Manchete. Como era contratado do SBT pouco tempo depois escreveu para emissora Fascinação, uma das novelas mais queridas do canal. Também nesse caso soube se adequar ao gosto dos telespectadores do SBT e escreveu uma novela dramática, romântica, muito parecida com os dramalhões mexicanos, o que agradou em cheio. Esses dois exemplos já mostram como o autor consegue se adaptar já que por eles notamos a distinção de público com que ele lidou. Mas não para por aí.

No início da década de 2000 ele estreou na Globo, no horário das seis, e nesse horário escreveu grandes sucessos como: O cravo e a rosa, Chocolate com Pimenta e Alma Gêmea. Novelas inesquecíveis que marcaram o horário. Quando precisou ir para às sete também conseguiu se adaptar ao horário escrevendo sucessos como: Caras e Bocas e Morde e Assopra. Depois veio Gabriela para o horário das vinte e três horas em que o autor também deu conta do recado. E agora estreou às novo com  Amor à vida, que tem tudo para ser mais um grande sucesso seu. Muitos dizem que ele é repetitivo, mas me diga qual autor não é? Até o idolatrado João Emanuel Carneiro vive repetindo em suas novelas personagens gays que não são gays, personagens que parecem bonzinhos, mas são na verdade a reencarnação do mal. E poderia citar aqui vários outros exemplos de autores que repetem elementos em suas tramas. Voltando ao Walcyr o fato é que nos horários em que era permitido e que agradava ao público víamos muitas tortas na cara, guerra de comida, mas não vimos isso em Gabriela e nem em Amor à vida, sinal claro de que ele sabe muito bem a quem está se dirigindo.