O jornalismo, o mais do mesmo e o seu caminho mais fácil

Se há algo que parece ser sinônimo de algo ruim, normalmente isso está ligado à rotina. Criticamos a rotina, a execramos sob pena de “o mais do mesmo” e costumamos culpa-la quando as coisas dão errado, e especialmente, é a elas ao qual atribuímos as rupturas ao longo da vida.

Existencial, não  é? Provavelmente, mas isso também se aplica ao jornalismo. Não a ele em si, mas ao modo como ele é feito. Há muito tempo ele tem sofrido tendências ao que costumamos de chamar de “o caminho mais fácil”. Uma fórmula que até há pouco parecia ser praticamente imbatível: desgraças.

Não basta a violência estar presente em nossas vidas ou ainda dever ser noticiada – desculpe contrariar aqueles que imploram por boas notícias, mas é um mal necessário. O problema parece ser a necessidade mórbida de explorá-la em troca de um resultado rápido ou como se o crime fosse o único caminho para chamar a atenção.

Ok, todo mundo sabe do dom inato que a desgraça tem para exercer o complexo de urubu, mas o público já deu provas mais do que suficiente que a culpa de uma linha editorial sanguinolenta não é sua. Se antes os números do ibope eram a salvaguarda das emissoras, hoje a internet está aí para contrariar e desmentir todo e qualquer argumento do gênero.

É necessário falar sobre violência e crime? Com certeza, sim. Porém, é necessário fazer dela o único foco possível para informar? O que custa para notarem a ausência do fator mais importante de todos, que é o equilíbrio?

Entre todos os recursos das emissoras é estranho notar que falta justamente é percepção.
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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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