O Livro do Boni: As idas e vindas de Chacrinha

Percebi que teria que comentar O Livro do Boni em partes para não deixar passar batido detalhes importantes e interessantíssimos da história da TV brasileira, especialmente porque Boni dedicou capítulos especiais à algumas estrelas e fatos.

Sobre Dercy, por exemplo, ele relatou tudo o que vimos na minissérie, além de ele ter retribuído o carro que ela lhe deu quando roubaram seu fusca. Ele soube por Decimar que a mãe frequentava a casa de amigas e bingos utilizando um táxi.

Disse ainda que até perto dos cem anos ela lhe enviava frequentemente a famosa “carne de panela da Dercy”.

Na sequência o tema foi Chacrinha. Pude entender os motivos do afastamento do comunicador da Globo. Ele assinou prometendo menos polêmicas porque já naquela época a Globo queria apostar em qualidade e, de cara, o cara entra no ar com um concurso dos cães mais pulguentos do Brasil. Empesteou toda a emissora.

Acabou aceitando os conselhos do Boni e resolveu dar uma virada na atração, conseguiu. Ampliou os índices.

Tudo ia muito bem até que a forte concorrência com Flavio Cavalcante fez com que os dois descessem terrivelmente o nível.

Pais de santo, sequestro de convidados, armação sobre suicídio…

E foi com essa armação que Chacrinha, com o depoimento do ator “suicida”, feriu a credibilidade do concorrente.

Foi aí que Boni exigiu que agora deveriam retomar a qualidade, afinal, tinha dado certo.

Só que o apresentador achou que Boni estava se interferindo demais, se estranharam. Pirracento Chacrinha começou a entregar o horário com atraso, ultrapassando limites.

Boni acabou tirando-o do ar, já que não entregava o horário e, bem, isso significou o fim do casamento de Chacrinha com a Globo.

Foi para a Tupi, mas a audiência não foi a mesma.

Nas quartas a Globo o substituiu pelo Globo de Ouro e Kung Fu, e se manteve líder.

Chacrinha fazia a esposa anotar tudo o que estava passando na Globo e ele, incredúlo, dizia não saber como concorrer com atrações diferentes da dele.

E foi Dona Florinda que, com seus almoços especiais, conseguiu reaproximar Boni e Chacrinha. O resultado foi que ele ficou na emissora por mais dez anos, nas tardes de sábado.

Ahhh, detalhe importante: com a saída de Abelardo Barbosa dos domingos nasceu o Fantástico.

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