O Livro do Boni: Roque Santeiro, a censurada

Você conhece toda a história de Roque Santeiro? Ela vai além do que vemos na tela.

Quem assistiu ano passado ao Globo Repórter Especial – 60 anos de telenovelas viu algumas imagens e conhece um pouco da história a seguir.

Existiu uma outra versão de Roque com Francisco Cuoco como Roque e Betty Faria como Viúva Porcina.

Sinhôzinho era Lima Duarte, também na primeira versão.

Acontece que a novela foi liberada pela censura. Gravaram 36 capítulos e, quando enviaram para nova avaliação … não aprovaram.

Disseram que só poderia entrar após às 22h, com cortes.

Boni diz que destruiriam toda a obra, ficaria retaliada e seria impossível compreendê-la.

Tentaram negociar, dizendo que exibiriam Gabriela às 20h e Roque às 22h com alguns ajustes. Não colou.

Chegou o dia da estreia e, como continuou censurada, Daniel Filho preparou um compacto de Selva de Pedra para ocupar a vaga. A reprise foi tão bem quanto a exibição original.

Ah, e colocaram um editorial abrindo a boca pela primeira vez, contando ao público o que tinha acontecido.

Chateado, Dr Roberto tinha afirmado que Boni tinha colocado a empresa em risco. Quando viu as imagens, no entanto, se desculpou.

Descobriram depois que foi censurada porque tinham grampeado uma ligação de Dias Gomes. Boni diz o seguinte:

“Nesse telefonema o Dias comentava que o Roque era o Berço do herói sem farda. Os serviços de informação do governo ordenaram que  a  censura  inviabilizasse  a  exibição,  sem proibi-la ostensivamente. Ficamos sabendo também que o Ministro Armando Falcão se divertia no CPOR por ter causado um problema para o dr. Roberto e para nós, profissionais dos quais ele sempre teve inveja”.

Somente em 1985 retomaram tudo e colocaram Roque Santeiro no ar, fazendo um tremendo sucesso.

A ideia era resgatar o elenco original mas Cuoco e Betty já tinham outros compromissos.

“Em 1985, fizemos Roque Santeiro. Na estreia, dr. Roberto me convidou para assistir ao capítulo na sala dele. Rimos muito com a Regina Duarte e o Lima Duarte. Depois ele comentou:

–  Não  havia  mesmo  nada  a  censurar. Cumprimente a todos. E, discretamente, deixou uma lágrima rolar.”

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