O massacre, o bullying e a parcela de culpa da sociedade

9 de abril de 2011 0 Por Endrigo Annyston

Já comentei por aqui que tenho evitado o noticiário. Isso se deu após a tragédia causada pela chuva no Rio de Janeiro.

O ano começou com o pé esquerdo e, portanto, decidi me dar um período de folga, estando alheio tanto quanto fosse possível. No caso do massacre em Realengo, não deu.

Tristeza, lágrimas e lamentações depois, é a hora de avaliar o estrago. Já está feito, é o que resta.

Tenho me questionado a todo o momento o que levou Wellington a cometer tanta crueldade e todos os meus pensamentos são direcionados ao hoje famoso bullying: só se fala nisso, e, aparentemente, é um dos maiores problemas de nossos tempos.

Não que não fosse no passado, mas não entendíamos os males que essas “brincadeirinhas” causavam já em época de escola.

E foi exatamente em uma escola que, segundo consta, os tormentos de Wellington começaram ao ser deixado num canto por seus “colegas”, os mesmos que também tiravam onda com sua cara.

Os ex-parceiros de sala de aula, vizinhos, familiares, todos dizem que ele vivia isolado, recluso em seu mundinho.

E o que essas pessoas faziam para ele se enturmar? Aparentemente, nada.

O isolamento e o fato de ser excluído por todos podem ter contribuído para criar o monstro que vimos invadir a escola de Realengo nessa semana. Não justifica o que ele fez, mas explica.

A impressão é que tudo poderia ser diferente caso o mundo também fosse.

Por que essa mania de superioridade e, mais que isso, esse costume bizarro enraizado em nossa sociedade de querer inferiorizar quem não é tão bonito, sarado ou qualquer outro “defeito” que obviamente não deveria incomodar porque faz parte do outro e não de nós?

Acredito que deveríamos ampliar essa discussão, mudar costumes, por mais difícil que seja.

Já temos tanta violência… será que não poderíamos reavaliar nossos atos para assim quem sabe contribuirmos por um mundo melhor?

Eu realmente acho que é pedir demais, mas não custa tentar.

Melhor que lamentar e essa é nossa situação atual.

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Esse não era o nosso tema para essa semana, mas é o assunto que mais repercutiu em todas as mídias. E em nossos e-mails: nunca uma pauta foi tão intensamente debatida entre os três jornalistas responsáveis pela Ponto de Vista.