O último capítulo da trama que fez o telespectador sonhar.

Amado e odiado em igual proporção, a telenovela desperta reações apaixonadas por todos os lados. Porém, nos últimos anos, o gênero tem sido alvo de problemas decorrentes de seu tempo e de existência e, acima de tudo, de sua própria grandeza.

Quando Cordel Encantado começou, foi tida como um verdadeiro oásis em meio ao deserto do que chamavam de mesmice. A obra de Thelma Guedes e Duca Rachid era atemporal, ágil, com uma história inocente, bom elenco, uma fotografia extraordinária. Não que fugisse dos clichês – inevitáveis a certa altura do campeonato – apenas os transformava em algo mais e compensava seu peso com algo mais interessante. E claro, foi se tornando unanimidade entre os telespectadores, que de início pareceram estranhar a mistura entre reinados fictícios e sertões, mas logo foram conquistados pela história cuja audiência recuperou o fôlego do horário das 18h. E claro, mais do que números para manter a alta cúpula satisfeita, o telespectador também deixou a sua mensagem de maneira simbólica assim como a própria trama o fez em seu desfecho.

O seu final não foi exatamente a típica overdose de felicidade e com isso as palavras na voz do profeta vivido por Matheus Nachtegaele foram enfáticas: “Isso é para que não nos esqueçamos que a maldade sempre vai existir.” Os telespectadores também tiveram uma atitude, afirmando com sua audiência que desejam ver além do modelo típico adotado pela telenovela nos últimos anos, que privilegiava o tal do realismo. Afinal Cordel Encantado não primava exatamente por isso, pelo contrário: era pura fantasia.

Falhas? Sim. Nenhuma trama está livre disso e não foi diferente em Cordel Encantado, porém talvez mais sentida pelos telespectadores. Quem já havia se acostumado com o fluxo ágil dos acontecimentos acabou sentindo os efeitos das famosas e temidas barrigas, especialmente nas overdoses de sequestros e embates entre mocinhos e vilões dignos de Tom e Jerry. Porém nada que desmerecesse o trabalho afinado das autoras, elenco e produção.

Saldo? Positivo com certeza. Cordel Encantado é uma daquelas tramas que inevitavelmente deixam saudade. Afinal ela foi capaz de fazer aquilo que nos últimos anos parecia ser impossível para os telespectadores: sonhar.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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