Olimpíada na Record: Sensação de dever “quase” cumprido

16 de agosto de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Sim, dever quase cumprido porque houve arestas para serem aparadas. No montante, porém, a Record está de parabéns pela cobertura que fez dos jogos olímpicos e o visível avanço em relação aos eventos que os antecederam, Jogos de inverno de Vancouver(2010) e jogos Pan-americanos de Guadalajara(2011).

O USO DO SELO “AO VIVO”:

Em Londres 2012 a emissora entrou em campo com uma responsabilidade altíssima e carregando sobre a cabeça a “espada de Dâmocles”, resultado de muitos erros cometidos nos eventos anteriores. Pesadas críticas, muitas delas com razão, diziam respeito à reiteradas confusões sobre o uso de imagens “ao vivo” e repetidas.

Esses erros foram sanados nas transmissões dos jogos olímpicos de Londres e, nesse sentido, parece que a emissora aprendeu com o erro e a crítica.

SOBRE A NARRAÇÃO E COMENTÁRIOS:

Houve também um avanço significativo na narração e nos comentários conduzidos pelos profissionais contratados pela Record. Narradores mais comedidos que souberam dosar melhor a emoção e a razão foram constantes. Isso já ficou bem lúcido  no primeiro dia, com a abertura dos jogos, onde se percebia claramente o tom menos “apoteótico” onde narradores falavam menos e deixava as imagens falarem por si só. Isso já havia rendido uma crítica positiva do jornalista e crítico de televisão, Mauricio Stycer. Na ocasião Mauricio lançava um paralelo entre Record e Sportv e observava que a Record fazia uma transmissão mais lúcida do evento. Ainda no canal global o jornalista destacava o visível mau humor de Galvão Bueno, que contestava a escolha do “007” para atuar ao lado da rainha. Esse mau humor do Galvão, diga-se, se precipitaria mais tarde com uma discussão que custou a cabeça de um companheiro de bancada.

De narradores, destaco em especial o Lucas Pereira que substituiu Éder Luis e trouxe um avanço com uma narração mais comedida e melhor adaptada para a televisão. Adaptado para a televisão porque o Éder Luis sempre foi narrador do rádio e nunca soube dosar essa mudança de mídia. O resultado era uma narração muito acelerada e pesada. E pra não dizer que só falei de flores, uma crítica negativa ao Romário, que como comentarista fica muito a dever. Imagino que foi pra lá mais por status do que propriamente por competência.

SOBRE AUDIÊNCIA:

A audiência, de fato, parece ter ficado aquém do esperado. No entanto, alguns fatores não podem ser desprezados. Entre eles está o fato de que trata-se esse do primeiro evento dessa grandeza que a Record transmite com exclusividade. Por tratar-se de um evento com várias modalidades-algumas com mais expressão outras menos- é inevitável uma audiência flutuante. Não estou certo, mas tenho pra mim que esses jogos, como um todo, trouxe um acréscimo de audiência para a emissora. Houve momentos que deu o triplo de audiência da Globo. E isso, convenhamos, não é pouco não. Teve, me parece, um recorde onde a Record ficou na liderança o dia todo. E isso também não é pouco.

É bem verdade que teve dias que a Record ficou atrás do SBT com algumas transmissões o que é um gosto bem amargo, porém isso mostra mais uma audiência flutuante comum em eventos de diversas modalidades. É uma faca de dois gumes bem afiada.

SOBRE OS ENTREVISTADORES:

Esse é o ponto mais sensível da Record nas transmissões e houve muitos erros. Repórteres exagerados deram o tom. Atletas cansados após sair de uma competição eram alvejados por uma bateria de perguntas que era um nunca acabar, revelou falta de moderação. É aceitável que se faça perguntas, mas realmente, não precisa de uma bateria delas. Pecaram e muito pelo excesso. O repórter é muito importante para o atleta, para colher informações e transmitir emoções mas uma certa equidistância precisa ser preservada a bem de todos.

Assim como Fátima Bernardes, na época da Copa, levou um esporro do tecnico Dunga por querer invadir  a concentração para falar com jogadores, a Record parece querer cometer o mesmo erro. Não é por aí.

PRA ENCERRAR:

É isso aí. Essa é minha visão e minhas impressões que tive sobre a transmissão da Tv Record desse evento grandioso. Fiz questão de acompanhar todos esses jogos pela emissora, porque ainda era uma incógnita. Ao meu ver, a emissora saiu maior do que entrou e soube angariar meu apreço pelo avanço e, sobretudo, por ter aprendido com muitos erros cometidos em outrora. Está longe da perfeição, porém está no caminho certo. Muitas e muitas arestas precisam ser aparadas para, quem sabe em RIO 2016 possamos acompanhar um evento grandioso em todos os seus desdobramentos.

* por Ary Nunes