Os dramas e dilemas da TV pública brasileira

21 de agosto de 2010 0 Por Endrigo Annyston

E aí, caro telespectador leitor? Cansado do que é obrigado a assistir por aí?

Bom, há  outras opções que não necessariamente incluem a velha máxima de “desligue a TV e vá ler um livro”.

Conhece as emissoras públicas de televisão? Aposto que se esqueceu delas…

As emissoras públicas de TV são as chances do telespectador se ver livre dos embates e guerras por audiência das emissoras privadas. Emissoras públicas não precisam se preocupar em manter formatos consagrados, ou brigar de forma chula e direta, mas em contrapartida seus compromissos são bem maiores.

Qualidade, independência, pluralidade, variedade: quesitos exigidos por todos quando se trata de qualquer canal, e ainda mais evidente em um caso como esses. Responsabilidades ainda maiores.

Sim, agora diga quem desejaria desfrutar da programação delas? Super elogiadas, recomendadas e até mesmo festejadas, mas desprezadas, pelo menos no Brasil.

Nesse rol temos a TV Cultura e a TV Brasil (ok, ambas estão mais pra estatais, mas enfim ignore e apenas raciocine). Nelas temos debates, produções culturais invejáveis, acesso a produções independentes além de filmes e documentários que em circunstâncias comuns só teríamos acesso pela internet ou em circuitos fechados… afinal filmes iranianos não são tão fáceis assim de encontrar.

E claro, as polêmicas não podem ficar de fora, já que ambas tem a credibilidade afetada pela fama de de “chapa branca”, de ferramenta política. O candidato a presidência pelo PSDB José Serra declarou recentemente no 8º Congresso Brasileiro de Jornais que “a TV Brasil não foi feita para ter audiência, mas sim para criar empregos na área de jornalismo e servir de instrumento de poder para um partido.”

Serra aliás não está longe da polêmica. Há pouco tempo o candidato foi acusado de interferir no quadro de funcionários da TV Cultura devido ao repentino afastamento de Gabriel Priolli da coordenação de jornalismo após sugerir uma pauta sobre problemas nos pedágios das rodovias paulistas.

Para piorar, uma delas está ameaçada. A TV Cultura passa por um período difícil, com ameaça de demissão em massa (o que não seria a redução de 1,8 mil para 400 funcionários?) devido ao que o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, classifica como “inchaço”. Isso sem contar a mudança geral em sua programação, onde aparentemente poucos se manterão de pé.

Má gestão, confusão, polêmicas mil.. e pouca gente assistindo. Há boas opções, mas as pessoas não parecem muito dispostas a mudar de canal e ser espectador fiel de seja lá qual for a atração desses canais, pelo menos não os adultos, afinal para a criançada a programação é especial.

Exigir cultura é fácil, mas a maioria encara essa exigência como uma forma prática de parecer cidadão preocupado, sequer fazendo o esforço de apertar um botão diferente no controle remoto.

Enquanto isso – longe das bundas, reality shows e afins – dramas ainda mais intensos que “O Direito de Nascer” acontecem nos bastidores de um espetáculo que ninguém assiste. Triste história, sem previsão de desfecho.

O jeito é torcer por um final feliz, afinal em caso negativo, a prejuízo também é nosso.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)