Os Maias: Beleza rara na TV

Estava lendo algumas matérias publicadas em 2001 sobre Os Maias. A maioria trata sobre a baixa audiência.

Não me lembrava disso, mas o primeiro capítulo foi editado as pressas por falta de tempo e, portanto, não foi exibido pronto. Na estreia Os Maias fez 32 pontos.

Até que foi muito, o primeiro é muito lento, cheio de passagens sem diálogo. Também com imagens escuras, apostando em iluminação por velas.

Assusta a maioria dos telespectadores, nem dá pra culpá-los, dizer algo como “eles não tem cultura”.

Os Maias fica muito mais ágil nos capítulos seguintes, portanto, é mais fácil constatar que a estreia, devagar, espantou muita gente.

E eu sempre falo que muitas estreias deveriam ser repensadas. Lembram que eu detestei o primeiro capítulo de A Vida da Gente? É o principal convite para quem assiste, por isso os roteiristas deveriam repensar seus textos nesse primeiro momento.

E a minissérie realmente é muito mais bonita do que me lembrava. Nem é muito difícil, na época eu tinha o que, 16 anos?

Acredito que seja o melhor trabalho da carreira de Fábio Assunção e Leonardo Vieira. Do segundo fico em dúvida por conta de Renascer, mas não me recordo de sua atuação.

Walmor Chagas está espetacular. O que era aquela cena em que Pedro tentava conversar com o pai e ele não movia um músculo? Depois, disfarçadamente, desabou.

Nesses quatro primeiros capítulos destaque especial para a novata Simone Spoladore, Eva Wilma e Ariclê Perez, que infelizmente nos deixou após outro espetáculo, em JK.

E Myrian Muniz e Sérgio Viotti, saudosos, como Dona Patrocínio e Padre Vásquez?

O melhor de Os Maias está no texto, direção e elenco, ou seja, conjunto da obra. Mas é especial o trabalho do elenco e direção, o elenco se expressa com os olhos, tipo quando aos poucos todo mundo vai notando a bela bisca que é Maria Monforte, uma troca de olhares que é inevitável até em Pedro da Maia.

Um espetáculo que, insisto, é imperdível.

No Viva, de segunda a sexta, 23h15.

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