Passione deslancha ou morre na praia?

19 de junho de 2010 0 Por Endrigo Annyston
Passione começou com uma grande responsabilidade pela frente: brindar o público que não suportava mais a lentidão de Viver a Vida, e recuperar o horário nobre global em crise. Claro que uma emissora acostumada aos quarenta e tantos pontos de audiência não se contenta com menos, e com isso qualquer rumor de números menores significa alerta.  
Todos os holofotes sobre a nova trama: imprensa, público e alta cúpula. Bela fotografia e uma história bem contada mas que logo de início frustrou muita gente. Por que? 
Não sei. Muitos devem ter considerado seu início lento, seus personagens parecidos com outros velhos conhecidos do público. Expectativas implacáveis a serem concretizadas, de uma forma cruel e quase impossível. Convenhamos que é difícil agradar um público que a cada dia tem mais maneiras de expressar sua insatisfação com qualquer coisa, tornando-se um patrão irascível e autoritário. No caso da televisão, isso se torna bem pior, especialmente para as telenovelas, onde podemos chegar ao ponto de tirar as ideias do escritor em jogo e simplesmente usa-lo para traduzir o que julgamos ser bom.  
Passione tem personagens intensos como julgamos ser seguindo a lógica mostrada por seu título. Aliás, haja intensidade pois com cenas de Tony Ramos, Aracy Balabanian e Vera Holtz, os tímpanos dos telespectadores passam a correr sérios riscos. Gosto da história, das promessas de assuntos espinhosos e da forma como Sílvio de Abreu a conduz. Gosto do desempenho de atores como Mariana Ximenes, Fernanda Montenegro, Bianca Bin e os gritadores acima. Da ideia de reinventar a roda, pois atingimos um patamar que talvez não haja mais pra onde correr quando o assunto é originalidade.  
Pelo que mostram as últimas notícias sobre a corrida maluca da audiência, a novela começou a reagir. Uma razão? Talvez não uma, mas sim várias. Diversos fatores podem ter contribuído: o disse-me-disse em torno de Gérson (Marcello Antonny), se o personagem é gay, pedófilo ou (insira qualquer fofoca aqui), a polêmica em torno da personagem de Maitê Proença e sua coleção de conquistas… razões não parecem faltar. 
Seja como for, espero que não inventem mais uma crise. Ver Passione mudando me deixaria desanimada: mais uma boa trama se perder em meio a gana e exigências de público e cúpula seria cruel. Ainda sou daquelas pessoas que não entendem somente a telenovela como uma obra aberta para que “os outros” mandem, mas sim para que o escritor tenha alguma liberdade de mudar se assim julgar conveniente.
No fim, para saber as respostas, sejam elas boas ou não, só assistindo mesmo.
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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)