“Pé na Cova” é mais que personagens falando errado

A série de Miguel Falabella é o grande acerto da temporada 2013 da TV brasileira. Quando todos os olhos estavam voltados para a estreia de Marcelo Adnet com seu “O Dentista Mascarado”, “Pé na Cova” já estava divertindo desde o início do ano e recebendo uma enxurrada de críticas positivas.

Curioso observar que Falabella não tem sorte com novelas, no entanto, suas séries são sempre muito bem recebidas. Casos de “Toma Lá, Dá Cá” e “A Vida Alheia”.

Seu texto é inteligente, afiado. No caso de “Pé na Cova”, os personagens são pobres, pobres mesmo, não gente falida como era com a trupe de Toma Lá.

São pessoas que batalham pra pagar as contas topando qualquer negócio. E, diferente do que aconteceu quando vivia Caco Antibes, Falabella não faz deboche com a pobreza.

Darlene e cia falam errado, entendem e tentam se justificar de forma equivocada, mas, no final das contas, estão compartilhando a sabedoria popular. Há uma ingenuidade ali.

Isso ficou ainda mais evidente no episódio da última quinta, quando Darlene dialogava com Ruço e expunha seu ressentimento, tendo como base o fato de, naquele episódio,  a mulher oficial não deixar a amante participar do velório do marido.

Como seria se Ruço morresse? Ela também não teria uma chance, não poderia se despedir do homem com quem compartilhou a maior parte da vida?

Um diálogo repleto de palavras erradas, mas que já nem divertia mais. Pé na Cova seguiu outro caminho: estava emocionando.

Não são apenas personagens malucos e de nomes esquisitos, comuns nas histórias do autor.

É gente com sentimento, gente da gente. É como se nos víssemos no televisor.

É um dos maiores acertos da carreira de Miguel Falabella. Vida longa!



3 comentários em ““Pé na Cova” é mais que personagens falando errado”

  1. Não sei se comentei isso aqui no Cena ou em outro lugar, mas Pé na Cova é uma série diferente: tem humor, mas tem reflexão. O episódio da semana passada foi emocionante. É um grande acerto do Falabella, mas eu ainda prefiro o Toma Lá, Da Cá…às vezes me pego assistindo a reprise no Viva e morrendo de rir com a Copélia, Seu Ladir, Dona Áurea e cia.

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