Política se faz com balões d’água, bolinhas de papel e nenhuma reflexão

23 de outubro de 2010 0 Por Endrigo Annyston

por Emanuelle Najjar

É, nunca antes na história desse país pareceu tão divertido fazer e acompanhar a política. Isso pelo menos para aqueles que ainda são capazes de rir do absurdo que as coisas estão nesse momento. Dizer que algo é um circo nunca fez tanto sentido.

Em meio a brigas do gênero “jardim de infância”, em um período de campanhas sem promessas e de baixaria, a única certeza é de nervosismo, não apenas da parte dos candidatos como também dos eleitores submetidos ao espetáculo, em que a verdade desaparece entre versões e versões tão ditas e repetidas a ponto de serem tomadas como verdade. E bem nesse ponto deveria haver uma peça chave, algo que devesse se concentrar em fatos: o jornalismo.

Ok, é utópico. Estamos beeeem longe disso. O jornalismo também se perde em versões. Que o diga o objeto voador não identificado voando em direção a careca lustrosa do candidato tucano José Serra. Bolinha de papel, bobina de fita adesiva, pedra (acredite, essa eu li) ou míssil iraniano, houveram trocentas versões. Várias emissoras de TV e outros veículos de mídia apresentaram o ocorrido de uma forma diferente. Cada uma dessas versões acirrando novas guerras entre eleitores mais fanáticos – os balões d’água na candidata Dilma que o digam – fazendo com que a maioria das pessoas pense em como seria bom viver como um ermitão nesses tempos.

Não basta acirrar a guerra. Tem de entrar na briga e meter uma bordoada nos adversários, manipular um público tão habilmente como marionetes. Não basta ter uma ideologia: tem que levar essa mesma ideologia até os fatos precisa também convencer os outros a comprar a ideia.

É tão difícil ater-se aos fatos e cumprir o seu papel? O seu verdadeiro papel? O jornalismo não deveria informar, criar reflexão e deixar que seu espectador formule seu próprio pensamento?

É, estamos formulando um outro pensamento, outro tipo de reflexão, as avessas do que seria o digno esperar de um veículo de mídia, seja lá qual for sua marca.

Qual é mesmo o caminho mais curto para as montanhas?

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)