Ponto de Vista: Cadê a infância?

16 de outubro de 2010 0 Por Endrigo Annyston

*por Emanuelle Najjar

É isso aí: estamos em outubro, mês das crianças. E como não poderia deixar de ser, elas são o alvo desse texto. A pergunta é: que tipo de televisão estão oferecendo às crianças? O que temos de programação infantil atualmente?

No meu tempo – eu sabia que chegaria o dia de usar essa expressão – durante minha infância, fui uma criança que gostava muito de TV. Naquela época, começo da década de 1990 (pois afinal é disso que tenho memória), havia o Show da Xuxa, com sua interminável batalha entre meninos e meninas, desenhos animados como “Capitão Planeta” ou “Caverna do Dragão” e mais tantos outros que fizeram minha época embora sequer lembre dos nomes. Havia Chaves e outros seriados mil do SBT, além da festa que era a Manchete, com os super-heróis trash de roupas colantes-metálicas-brilhosas fazendo a festa com episódios onde rolavam cabeças de monstros e vilões.

Tenho uma boa lembrança daqueles tempos. Uma sensação nostálgica… de um tempo onde os adultos já diziam que tínhamos uma programação ruim para crianças. Algo que ainda considero um que de ranzinza quando penso no assunto.

Mas tendo em vista o que vejo agora… tá difícil, viu?

O que temos em termo de programação infantil? Desenhos animados, coisa que nunca vai terminar… o que mais sobra?

Sobra pouco, é verdade, se é que sobra algo. Não conheço as opções de TV a cabo mas basta uma observação rápida das crianças que estão por perto. Os desenhos que deveriam ser para crianças também servem aos adultos, a linguagem cada vez mais elaborada, com piadas e humores mais caracterizadas para adolescentes. Um sinal de que exigimos um crescimento rápido como o típico estirão juvenil dos meninos. As meninas cada vez mais cedo devem ser criaturas vaidosas e preocupar-se com o corpo, assim como os garotos já devem ser pegadores e mal educados (ou vocês nunca ouviram uma criança de três anos mandando a mãe tomar?).

Nossa televisão reflete o anseio do crescimento rápido? A cobrança é da mídia – como muitos gostam de apontar – ou nossa? Nossa mídia é nosso espelho, não é?

E assim seguimos, como crianças-adultas ou adultos-infantis e sei lá pra onde.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)