Ponto de Vista: Estamos bem servidos, não é mesmo?

17 de julho de 2010 0 Por Endrigo Annyston

Achei curioso escrever no Ponto de Vista da semana passada sobre a queda da audiência televisiva quando na verdade as previsões indicavam que quem sairia de cena seriam os jornais e as emissoras de rádio.

E no início desta semana fomos surpreendidos com o anúncio do fim da versão impressa do Jornal do Brasil, um dos maiores veículos de comunicação de nosso país. O motivo? Dívidas e queda de tiragem.

Porém, ao mesmo tempo, será mesmo que é uma atitude equivocada do JB se dedicar exclusivamente ao portal de internet? Não acho.

A cada dia que passa novas residências passam a contar com computadores e acesso ao mundo online, mesmo que através de uma conexão discada. Além disso, existem os que tem a liberdade de utilizar a internet em seu trabalho, escolas, bibliotecas ou em uma lan house.

E isso tudo justifica e muito a queda nas vendas de um veículo impresso. Eu, por exemplo, mesmo como jornalista não compro um jornal, acho sujo. Também não compro revistas, vejo como um acumulo desnecessário de papel dentro de casa. Prefiro mil vezes acessar os portais dos principais veículos de informação do país.

Acredito que seja uma tendência, porém, ao mesmo tempo vejo que não deixa de ser uma surpresa quando uma empresa do porte do Jornal do Brasil anuncia estar “fechando as portas”. A migração para o online tem uma consequência: muitas pessoas vão perder o emprego.

Ainda nesta semana outra triste notícia para o jornalismo: censura na TV Cultura. De novo.

Vocês se lembram do caso Salete Lemos, demitida por um comentário feito sobre instituições bancárias? Agora foi a vez de Gabriel Priolli e Heródoto Barbeiro, afastados, segundo consta, por ordens vindas do governo. Em ano de eleição.

Muitos cobram imparcialidade no jornalismo. É difícil, bem difícil.

Primeiro porque cada jornalista tem um olhar sobre determinado fato, um olhar pessoal. Segundo porque ele pode até querer ser imparcial, mas essa imparcialidade vai até a página dois, dependendo de algum acordo estabelecido entre a empresa em que trabalha e terceiros.

E como a imprensa precisa de dinheiro para trabalhar e como vimos logo acima a tiragem dos jornais está caindo…

É, tem bastante gente vendida por aí. Durmam com mais essa.

Pra encerrar, Salete Lemos disse o seguinte ao Comunique-se logo após sua demissão:

Não sei o que a elite e o poder esperam dos jornalistas. Ou todos os jornais estão vendidos ou não sei o que está se passando. Não há qualidade, nada que dê respaldo a crítica. Está complicado trabalhar. A independência editorial que eu aprendi a fazer com o Boris [Casoy] por 12 anos, a crítica, a conscientização, nada disso é feito. Estou perdida no mercado. Preciso ir para a Argentina

Estamos bem servidos: de um lado uma imprensa nojenta que envereda para o sensacionalismo, do outro a imprensa calada.