Ponto de Vista: A fama pela fama e nada mais

7 de agosto de 2010 0 Por Endrigo Annyston

Todo mundo gosta de ser o centro das atenções e nunca os tempos foram tão propícios.

Para quem duvida, estamos em plena era dos célebres “quinze minutos de fama”. Nunca antes na história da humanidade a conjunção entre fatores cósmicos, mediúnicos, transcendentais e tecnológicos foi tão oportuna para os aspirantes-a-alvo-dos-paparazzi.

Mais do que nunca, ser celebridade é uma profissão. E vale tudo para entrar no mercado de trabalho, afinal todo mundo sabe que a vida não é cor de rosa.

Reality Show, envolvimentos com famosos de qualquer espécie são os meios triviais e continuam sendo armas eficientes, mas não mais os principais recursos.

Digamos que haja um bom caminho e com custos reduzidos: uma câmera e uma conexão com a internet. Um vídeo no YouTube é uma tática nova e que tem levado vários à pseudofama. Ou melhor, para aquele tipo de fama que é desdenhada por muitos.

Ok, pseudofama foi só um jeito de diferenciar uma coisa da outra. Fama é fama de qualquer modo, porém a forma como você a conquista é o que fará a diferença quanto ao tempo pelo qual seu nome será lembrado. E nesse mundo atual, quinze minutos parecem ser demais.

Raras vezes os célebres participantes de um reality shows são lembrados por mais que um ou dois anos, sem contar ainda a repercussão de sua passagem pela casa, ou pelo busão e seja lá o que for. Casos diferentes, como o da ex BBB Grazi Massafera são muito difíceis de acontecer.

Se sua entrada para o mundo da fama vier através de uma notícia bombástica, a coisa acontece bem rápido: vamos ao caso Geisy Arruda e seu famoso vestido rosa-choque. Sua história veio a tona com um vídeo gravado no celular e postado na internet. Claro que ela aproveitou a oportunidade de fama e dinheiro lhe foi oferecida na bandeja, mas agora está desacreditada. E, provavelmente não será mais lembrada por qualquer outra coisa que não seja sua roupa curta.

Com vídeos na internet, então parece ainda mais efêmero. Os vídeos engraçados ficam ali para a vida toda, mas a memória a respeito deles vale apenas para uma risada ou outra, e não mais.

(Claro, isso não vale para quem tenha resolvido fazer certas coisas e se exibir para a webcam, ou em lugares públicos: para esses a eternidade nunca fará tanto sentido.)

Sinceramente, não entendo isso tudo em torno do “ser celebridade”. Qual seria a graça da fama? O senso comum entende isso como o reconhecimento a um talento ou habilidade. Diante disso qual seria a graça da fama pela fama? Que espécie de sensação isso causaria?

Ser reconhecido pelo que? Pelo nada? Pela disposição de pagar mico e se humilhar em troca de algo tão vazio?

Estranho, paradoxal… assim como as coisas do nosso tempo. Para quem serão os quinze minutos de agora?

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)