Ponto de Vista – Fim do JB e demissões na TV Cultura

Por Wander Veroni * 

Um debate muito comum entre o meio acadêmico e os jornalistas profissionais é sobre o possível fim do jornalismo impresso. Há quem diga que não. O jornal impresso vai continuar. Deve, porque não? Tem espaço para todos. De acordo com os estudiosos de comunicação, o que vai mudar será a abordagem e o surgimento de novos modelos. O próprio iPad, no início do ano, deu uma animada na mídia impressa, nesse sentido. O impresso ganhou um novo gás com os tabelts e leitores digitais.

Porém, essa semana, uma notícia pegou todo mundo de surpresa: O Jornal do Brasil, mais conhecido como JB, um dos jornais mais antigos do Brasil, vai por fim na versão impressa, em setembro. O JB será apenas um jornal online e terá um modelo compatível ao iPad, Kindle, Nook, Mix e Libre, além de uma versão em e-paper, adaptável à tela do computador.

Isso é uma boa notícia? Vai dar certo? Só o tempo vai dizer. O fato é que essa “novidade” do JB é resultado de dívidas antigas do jornal, e não, necessariamente, um investimento. É mais uma tentativa de não acabar – totalmente, com o veículo. Além disso, outro fantasma assusta a redação do JB: as demissões. Com a redação da equipe focada no online e o fim da versão impressa, muita gente vai ser mandada embora. E quando jornalistas são demitidos, mais vozes que tem a missão de informar a sociedade são caladas.

E por falar em “cala-boca”, existem algumas pessoas que ainda acreditam que demitir jornalistas é o meio mais eficaz de “tampar o sol com a peneira”. Na TV Cultura, Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli foram demitidos por fazerem o jornalismo cidadão, crítico e que prestam serviço à sociedade. O fato é que não é demitindo jornalistas que os problemas sociais vão desaparecer. Isso é um engano. Eles continuam ali à espera de uma solução. Do outro lado do iceberg, a internet esta aí, livre e empreendedora. Graças à web, os jornalistas pensam e podem sair da mordaça criada pela publicidade e pela política. O jornalismo plural está apenas na internet, atualmente. O que é uma pena! Ainda bem que existe as eleições. E por mais utópico que isso possa parecer, é com o voto que podemos dar o primeiro passo para mudarmos algumas coisas. Pense nisso: não se deixe calar!

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*Autor: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.



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