Ponto de Vista: O Apocalipse da imprensa brasileira?

*por Emanuelle Najjar 

Alguns dizem que a mídia está vivendo tempos sombrios. Provavelmente estão certos. Os últimos acontecimentos não deixam mentir, e diante disso temos material suficiente para alimentar os pessimistas, realistas e os tragicômicos.

Jornal do Brasil e seu moderno retrocesso 

Se você  é um daqueles que gosta de alardear a extinção dos jornal impresso tem agora um prato cheio: o fim do Jornal do Brasil em sua versão em papel.

Sim, ele tornou-se exclusivamente virtual: um site de notícias como tantos outros. Justamente ele, que tem um passado de glórias e credibilidade. Um JORNAL, no amplo sentido que uma palavra escrita em CapsLock e negrito pode ter. Uma verdadeira instituição, que acabou afundando em dívidas, afinal o passivo de 100 milhões de reais não é atraente para nenhum investidor.

Em seu auge a tiragem era de 150 mil exemplares nos dias úteis e 230 mil nos domingos. Durante sua agonia, minguou 17 e 22 mil exemplares, fazendo com que, nas palavras do jornalista Fritz Utzeri, o JB virasse uma  “gazeta de bairro”.

A mudança  anunciada por seu principal investidor, Nelson Tanure, busca um modelo dito “sustentável e inovador”. A assinatura do conteúdo passa a custar R$ 9,90 em vez dos R$ 49,90 do impresso. E em seu fim, o Jornal do Brasil também acabou ficando marcado: é o primeiro jornal brasileiro a deixar o modelo de papel e se tornar 100% digital.

Interesses acima da informação 

Que foi? Não  é suficiente pra você? O que diria se houvesse uma chance de ver de perto como interesses alheios podem afetar os veículos de comunicação?

Na esfera televisiva, recentemente tivemos um pequeno escândalo desse gênero. Jornalistas da TV Cultura como Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli teriam sido afastados por pressão política. Nos bastidores da mídia afirma-se que a causa foi o questionamento sobre pedágios cobrados nas rodovias privatizadas do estado de São Paulo, um assunto aparentemente incômodo.

Heródoto Barbeiro, ex-apresentador do programa Roda Viva, teria irritado o candidato a presidência da República José Serra ao questioná-lo sobre o assunto durante entrevista. Já Gabriel Priolli teria sido afastado do cargo de Cordeenador de Jornalismo da emissora por ter sugerido uma pauta sobre os pedágios paulistas. A matéria já pronta foi derrubada e substituída por outra sobre a agenda dos presidenciáveis, mas sendo exibida no dia seguinte. E o destaque para este caso é que o jornalista ficou no cargo por apenas dez dias.

A TV  Cultura negou que Gabriel Priolli tenha sido afastado por essa razão, afirmando ainda que o jornalista foi remanejado para atuar na assessoria da vice-presidência de gestão da emissora, sendo que no cargo anterior ele apenas cobria o buraco deixado pela saída repentina de seu antecessor, Paulo Fogaça. Sobre a reportagem a respeito dos pedágios

A hipótese de uma interferência política não veio a tôa. De acordo com o site Comunique-se, as suspeitas se devem pelo fato de Serra ter indicado seu ex-secretário de Cultura, João Sayad para assumir a presidência da emissora, tendo assim grande influência em seus bastidores. A TV Cultura e José Serra negam qualquer tipo de interferência política na programação e nas pautas abordadas.

E o que de fato aconteceu, seja lá qual verdade for – interferência ou não – provavelmente nunca saberemos. Vivemos épocas onde não necessariamente as verdades predominam: afinal em época de eleição muitas coisas são ditas, refutadas, interpretadas de trocentas formas. E dá-lhe nota oficial…

2012 antecipado para a Imprensa?  

Quiprocó  danado, conclusão nenhuma… os visionários apocalípticos falam no fim do mundo em 2012. Se vamos ter o fim nessa data marcada eu não sei, mas que a imprensa já enveredou pelo caminho, já não resta a menor dúvida.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)


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