Ponto de Vista – O dia em que desisti da TV aberta

Por Wander Veroni*
Desrespeito com o horário dos programas. Produções que sacrificam a qualidade final em nome da audiência. Esses foram alguns dos motivos que me levaram a parar de assistir a TV aberta com a intensidade que era até o ano passado, por exemplo. Foi neste ano – mais precisamente em março, que encontrei uma alternativa bastante interessante: assistir programas, séries, filmes, notícias e novelas online. Não precisaria me matar para ficar acordado para acompanhar determinados programas ou ter que ficar pesquisando com os outros telespectadores o novo horário de determinada atração.
Chega uma hora que cansa, sabe. Vários telespectadores, internautas, jornalistas e críticos de TV oferecendo diariamente uma consultoria gratuita para as principais emissoras de TV, e elas ignoram o apelo. Preferem continuar no erro. Fazem uma meleca atrás da outra. Não querem ouvir o público. Preferem apenas acreditar nos números. Isso é revoltante!
Pela internet, o telespectador faz a sua própria programação. O capítulo da novela das seis não precisa ser exibida na faixa das 18h. Posso assisti-lo na hora que quero e quando quero. Posso me dar ao desfrute de ficar uma semana sem ver e deixar o sábado só para ver tudo que aconteceu durante a semana. E o melhor: sem intervalo comercial.
Além disso, com a disponibilização de vídeos pelo site das principais emissoras do país, até os noticiários ficaram mais interessantes. Posso abrir várias páginas e ver uma matéria do Jornal da Band, do Jornal Nacional e do noticiário local, sem precisar ficar zapeando. Assim que o vídeo carregar, assisto um e depois assisto o outro. E as séries americanas…meu Deus, a internet deu alforria aos que ficavam escravos de uma determinada emissora esperando a boa vontade deles de passarem a temporada completa e em um horário fixo. Dá para assistir online ou baixar os episódios: fica a gosto do freguês!
Esses são alguns exemplos da independência que a internet deu ao telespectador e, aos poucos, obriga a TV aberta a repensar o conteúdo para essa plataforma. Nem sempre números e picos de audiência significarão popularidade entre o público. O telespectador está virando internauta. Ou melhor: já virou, desde a explosão do Orkut, do fenômeno dos blogs ou da tagarelice do Twitter. Todos podem ser críticos e falar o que pensam nas mais variadas redes sociais. E o melhor: ao passo de um clique, monta a sua própria grade de programação. A TV que não está na internet, praticamente, está no limbo. Ou melhor: essa TV que não respeita o público pode estar com seus dias contados. Viva a convergência multimídia! Independência ou morte?
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*Autor: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.



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