Ponto de Vista: O que determina o fim?

2 de outubro de 2010 0 Por Endrigo Annyston

*por Emanuelle Najjar


Competência tem idade? Quando o tempo de alguém termina? O que determina o fim?

E por que tantas perguntas?

Talvez por se tratar de uma questão sempre importante e filosófica. Embora a discussão seja frequente, ela  voltou a cena devido a uma declaração no mínimo infeliz de Boninho.

Para quem não sabe, há pouco tempo a apresentadora Palmirinha Onofre deixou a TV Gazeta, e houve um boato de que ela seria contratada pela Globo para trabalhar junto com Ana Maria Braga. E as fantasias foram por água abaixo com as palavras do diretor. De acordo com a Folha Online:

“Palmirinha é uma figura, mas nem pensar. E olha que foi a Ana Maria que deu uma força para o início!”, escreveu Boninho em sua página no Twitter.

“Sou a favor da renovação,a Palmirinha teve seu tempo. Parabéns. Para convidar alguém, seria uma chef jovem e moderna”, explicou o diretor.

Além de uma tremenda deselegância – pra dizer o mínimo – o que ele quis dizer? Quais são as questões presentes em tal declaração?

Dizem que a fama é cruel, que a exposição pública é impiedosa e tem uma data de validade.  Um retrato frio daquilo que consideram “sucesso”. Definitivamente a frase dá o tom de veracidade a tudo, mas não vi exatamente uma razão para o escarcéu.  Na prática entendi as frases do diretor como “Palmirinha não tem o perfil para Globo”, o que é uma verdade embora as palavras usadas não fossem as mais aconselháveis.

Talvez alguns não saibam: Palmirinha Onofre tem 79 anos, é conhecida por sua simplicidade e por alguns atos falhos. É uma presença frequente no quadro “Top Five” do CQC e acima de tudo uma figura que faz muito sucesso devido a autenticidade. Alguém que muitos classificam como uma figura pueril, a personificação da avó que todos gostariam de ter.

Um modelo que não faz parte do padrão Globo de produção, conhecido por prezar artifícios e preserva apenas a personalidade do apresentador Fausto Silva, embora parte dela já tenha sido perdida pelo meio do caminho e muito de suas palavras desbocadas e trejeitos hiperativos já possam apenas fazer parte do que é esperado.

Palmirinha não se enquadraria no padrão global. Parece cruel dizer isso, mas talvez perdesse o que nos faz gostar dela. Autenticidade não é algo que se encontra fácil por aí e não é algo do qual ela tenha de abrir mão a esta altura da vida e da carreira, que com ou sem Globo , atingiu um patamar onde poucos chegaram.
Tempos não terminam, não para quem tem talento. E ela o tem de sobra.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)