Ponto de vista: A “onda verde” e o novo jogo

Bom, já começo esse texto afirmando algo que não posso esconder: obviamente não sou cientista política, socióloga ou qualquer coisa que me habilite a entrar em detalhes sobre política e sobre os jogos de poder que acontecerão em breve. Segundo turno… espere por bombas. Não dá pra dizer mais.

De qualquer modo algo não pode ser ignorado: o fato de uma nova força política ter surgido. Estou falando da “onda verde” de Marina Silva.

Para quem estava acostumado com o mais do mesmo das eleições, dessa vez teve grandes surpresas. Talvez pelo fato de uma terceira candidata ter se consagrado. Um nome relativamente novo, com perfil e valores pregados em campanha diferentes dos demais. Alguém que foi capaz de forçar um segundo turno.

Tudo bem, eu não queria ter de apelar pra isso, mas é necessário: Analfabeta até  os dezesseis anos, evangélica, frequentadora da Assembléia de Deus, ex Ministra do Meio Ambiente e cujo foco de campanha esteve sempre voltada para a sustentabilidade. Frescor nas propostas, angariou votos de eleitores na Internet, estando na corrida eleitoral para causar mais que as piadas óbvias de tal época do ano. Dentre os estereótipos  difundidos sobre o perfil dos eleitores dessa época, o do eleitor de Marina foi o menos cruel: o descolado.  (a quem estiver interessado no que circulou pelo Twitter: vote em Dilma para continuar “mamando nas tetas do governo”; ou em Serra “para que o mínimo aumente em 90 reais”)

Não, não destaquei aqui seu perfil porque eleitor gosta de quem tem uma história mais sofrida, mesmo porque nem gosto de autoajuda. Mas porque é indiscutível que alguém sem o respaldo de um grande partido – façam a comparação com os partidos na briga agora, ok? – possam ir tão longe. Tudo bem, Marina não foi eleita. Não sabemos se ela seria diferente uma vez ocupando a presidência do país, mas é inegável que sua presença fez o jogo mudar.

E que rolem os dados: os candidatos que sobraram nessa guerra, além de ter que demonstrar quem é “mais cristão”, ainda vai ter que rebolar muito…

_________________________________________________ 
* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *