Ponto de Vista – A pouca prática invadiu o jornalismo

Por Wander Veroni *

Tem hora que cansa, sabe. Mas, não posso (nem podemos) desistir. Ainda há esperança por dias melhores. Uma luz no final do túnel? Quem sabe. Parece que tudo aquilo que o jornalista aprende durante quatro anos na faculdade existe apenas nos livros, nos artigos e na teoria. Não que o mundo acadêmico esteja errado, mas o mercado – de um modo geral, resolveu seguir outro caminho. Uma trajetória que está jogando no lixo a ética, o respeito e, principalmente, os critérios de noticiabilidade.

Entretanto, isso não é necessariamente culpa somente dos jornalistas. Claro, poderíamos ser uma classe mais unida e dar o grito como uma categoria que representa a sociedade, antes de tudo. Mas, infelizmente, a maior parte da culpa dos veículos de comunicação perderem “certas referências” é por colocar pessoas sem a capacidade adequada de gerenciamento, se travestindo de jornalista ou de profissionais de comunicação. Quando falo isso, não estou levantando apenas a eterna polêmica da necessidade ou não do diploma, mas sim da ausência de capacidade e criatividade deste profissional.

Muitos donos de veículos de comunicação ou alguns dos seus principais diretores nem sempre são jornalistas ou profissionais com experiência e renome. E isso atrapalha o “meio de campo”, pois o jornalismo acaba servindo de “moeda de troca” para fins comerciais e políticos. Com isso, a premissa de informar as notícias mais importantes do dia do Brasil e do mundo de forma isenta, plural e coesa, acabando ficando de lado – para não falar que já está entrando em extinção.

Às vezes, tenho medo do que pode acontecer com o jornalismo local, principalmente. Hoje, boa parte dos noticiários investem pesado na cobertura policial, como se na cidade não houvesse outras pautas ou assuntos que mereçam ser informados. E o pior é que isso não é jornalismo policial: é uma extensão dos boletins de ocorrência gritada de forma acalorada, inflamada e repetitiva. Não adianta culpar a audiência e falar que o público quer isso. Não aceito!

Com a democratização da informação que há na internet é inaceitável acreditar que uma matéria jornalística ou programa tenha apenas aquela visibilidade dada pelos números de audiência daquele instante. Um material jornalístico ou de entretenimento vira um registro histórico importante para uma sociedade – que poderá estar acessível a qualquer momento pela internet e replicado nos blogs e redes sociais. Provavelmente, se ainda continuarmos com essa “pouca prática”, o jornalismo e a mídia está perdida: não é à toa que a web tem revelados tantos talentos. Falta semancol na mídia tradicional!

________________________________________

*Autor: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*