Ponto de Vista: Que opções o jovem tem na TV aberta?

*por Emanuelle Najjar

Fazer TV já  não é algo fácil. Imagine então fazer TV para um público cujo perfil não é caracterizado exatamente pela fidelidade?

É, caro amigo. Estou falando dos jovens. Uma audiência volátil e mutante, cujo amor e ódio são intensos. Uma classe onde meio termo é pura ficção e os parâmetros são algo simplesmente a serem esquecidos.

Ignore a qualidade do gosto adolescente. Não o questione, tenha em mente que essa é  apenas uma fase da vida. Esta idade é pra isso mesmo, para fazer bobagens e gostar de bobagens das quais se envergonhará mais tarde. Apenas tente compreendê-lo e trabalhar sobre essa falta de pudor momentâneo. Esqueça a ideia de que eles só deveriam ter permissão de comprar CDs e DVDs sozinhos na maioridade. Apenas tente responder a seguinte pergunta:
O que eles procuram? O que esse tipo de público quer?

Ok: Crepúsculo, Fiuk, Restart, Justin Bieber e outras coisas do gênero já estão na lista. Que tal irmos além do modismo, já que esse é inevitável?
Como agradá-los? Sabe me dizer?

*cri cri cri cri…*

A resposta é uma grande incógnita. Talvez por isso esse público conte com tão poucas opções. Pobre ser desorientado aquele que não se pauta ou não se liga nas modas atuais. Este inevitavelmente se perde no caminho, após efeitos da lobotomia forçada. O mundo anda cada vez mais difícil para aqueles que não aderem.

Alternativas servem apenas para os que seguem os gostos e fórmulas comuns. Os outros que não fazem parte de nenhuma daquelas famílias que xingam muito no twitter são desprezados. Eu mesma não sei dizer o que resta: minha época disso já passou e normalmente como já reclamo da qualidade da programação da TV aberta, nem me sinto mais em desvantagem.

Programas para jovens… com qualidade? Tá ficando cada mais difícil escrever aqui no “Cena Aberta”, viu Endrigo?

Houve uma época remota e distante onde Malhação prestava. Se você acha que isso é antigo imagine então um outro tempo mais distante ainda onde os bons programas não ficavam jogados às traças na madrugada, afinal a lembrança de seu gênero faz a memória de muitos de nós.

Exigi muito de sua memória? Desculpe, sei que forcei a barra dessa vez. Eu mesma não tenho muitas lembranças do programa a que me refiro embora o “Programa Livre” seja inesquecível. Durante minha adolescência ele já estava minguando durante sua tentativa de se reerguer nas mãos de Babi Xavier.  

Estou falando do Altas Horas, representante mais conhecido da velha fórmula do Programa Livre. Uma opção, embora teoricamente nenhum jovem — salvo os do auditório — esteja em casa assistindo televisão em um sábado a noite. Pelo menos não naquele horário.

Pode ser que eu esteja errada, afinal é uma percepção pessoal, mas a sensação que tenho é de que o público de Serginho Groisman seja dos insones desesperados por algo que não os faça babar ou pedir para vestir uma camisa de força: ou seja, adultos interessados em qualidade. Apenas uma questão de lógica, embora eu realmente não conte muito com isso em qualquer coisa envolvendo adolescentes.  

Tá, eu mesma não sou grande fã de Serginho Groisman, mas nada me impede de afirmar o Altas Horas um programa indiscutível em termos de qualidade e espontaneidade. Um refúgio conhecido para quem busca um pouco de variedade e entretenimento longe do modismo geral. Nada que seja friamente calculado, mas também muito longe de ser considerado malfeito, e com conteúdo que beira a perfeição. Quem dera se todos os jovens pudessem assistir um pouco disso.  

Alguém me recomenda outras opções? TV é algo que me deixa tão desanimada ultimamente que dexá-la de lado parece a melhor ideia…        

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)


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