Qual o verdadeiro preço da fama?

5 de março de 2011 0 Por Endrigo Annyston

Fama, glamour e flashes: muitos passam a vida correndo atrás disso, crendo na fama como a verdadeira felicidade. E veja só como essa tal de felicidade é dúbia: quantos famosos andam “felizes” por aí ultimamente?

O caso mais recente é o do ator Charlie Sheen. Para quem não sabe, é o protagonista da série  Two and half man, ator mais bem pago da TV americana interpretando um papel que aparentemente é o seu próprio, mas ultimamente sua visibilidade não se deve ao seu desempenho mas sim aos seus problemas pessoais. Uma vida ultimamente regada a drogas e festas épicas com atrizes pornôs, além de um comportamento capaz de ameaçar a continuidade de uma série famosa e lucrativa.

Claro, ele não  é o único. Temos Lindsay Lohan com suas idas e voltas a delegacias, tribunais e clínicas de reabilitação, Miley Cyrus e alguns passinhos tímidos em experiências com drogas, Christina Aguilera, cujo currículo de escândalos ainda não chega nem perto do ideal nesse mundo… e sem contar a eterna diva e exemplo Amy Winehouse, cantora com uma lista sem fim de problemas com álcool, drogas e confusões envolvendo fãs e paparazzi.

Parece uma reação em cadeia, não? Um a um, parece que todos vão caindo na mesma armadilha. Parece um imã, uma atração irresistível. Há algo nesse mundo que fazem as pessoas pirarem e não é difícil entender a razão, pelo menos quando sua imaginação é boa o suficiente e suas ambições não incluem o mundo reluzente a ser reconstruído nessa jornada rumo ao desejado entendimento.

Soaria piegas dizer que ser o centro das atenções é capaz de enlouquecer qualquer um? Ok, claro que um frágil equilíbrio emocional ajuda pacas nessa hora, mas em um momento desses quem seria capaz de negar o elemento potencializador de momentos de glorificação?

A fama é cruel. Contrário daquilo que se imagina ser um sonho pois ao mesmo tempo que a mídia eleva, também provoca a queda esperada para mais cedo ou mais tarde, seja pela dita loucura ou pelo ostracismo. E tudo isso é aceito, glorificado. Sustentamos aquilo que leva muitos ao delírio, seja por mórbida curiosidade ou pelo urubu que existe em todos nós.

Uma vez escrevi um post no Limão em Limonada, chamado “Susan Boyle e a fama: não existe misericórdia”, onde nos últimos parágrafos acabei escrevendo uma observação que talvez possa servir a este texto também.

“A fama tem seu preço. E um preço alto demais. Ainda assim há aqueles que continuam na mesma corrida louca, fazendo de tudo para ter os “cinco minutos de glória”, torcendo para que sejam piedosos quando chegar a sua vez.

E mal sabem que não há misericórdia.”

A loucura é atrativa, não? De uma certa forma ela também parece fazer parte do glamour, ou é encarada apenas como um simples preço a pagar. Algo de baixo custo se comparado a todas as “maravilhas” que a vida de celebridade pode proporcionar.

Sabe, eu entendo essas jovens celebridades que de uma forma ou outra estão chutando o balde. Claro, compreensão não quer dizer aceitação, mas sim entendimento. Não pelo glamour que a loucura humana possa ter, pois nem tudo que reluz é ouro, mas por entender esse ato de meter o pé como, quem sabe uma válvula de escape?

Ok, ineficaz, rápida, viciante a ponto de destruir muita coisa que haja no meio do caminho, porém lucrativos em termos de mídia, dependendo do ponto de vista. O retrato de alguém que enlouquece pelo peso da própria arte ou da fama sempre foi atrativo, desde que não leve ninguém a não ser a si mesmo nessa jornada paranoica.

O público costuma gostar, afinal os escândalos costumam ser encarados como prova de humanidade, de que aquele famoso pode ser tão miserável quanto aquele leitor que compra o tablóide e se mostra capaz de atingir a transcendência pela ruína alheia.

Pena que um retrato de humanidade pode sair tão caro para ambos os lados, já que nem muitos suportam o caminho de volta.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)