Rebelde Mx versus #Rebelde Br

29 de março de 2011 2 Por Endrigo Annyston

A grande aposta da Rede Record para 2011 estreou há uma semana e, como era esperado, está dando o que falar. Ao mexer em um vespeiro tão complexo como a saga “Rebelde”, a emissora contou com polêmica e propaganda certas e gratuitas. É a velha história do “falem bem, falem mal, mas, falem de mim”. Neste ponto, o canal do bispo Edir Macedo não pode se queixar. Obteve involuntariamente uma grande repercussão muito antes de ser exibida.

Com 17 anos, acompanhei a transmissão das três temporadas de Rebelde Mx no SBT e sofria com o péssimo trabalho de dublagem da novela. Boa parte dos diálogos era desconexa e a resolução de determinadas tramas era pobre demais. Contudo, a sintonia e o carisma do sexteto mexicano Anahí, Alfonso Herrera, Christopher Uckerman, Dulce Maria, Christian Chaves e Maite Perroni conseguia compensar as falhas técnicas. A empatia dos casais protagonistas Diego e Roberta e Miguel e Mia era visível e coleciona milhares de fãs até hoje. Além disso, o indiscutível sucesso do grupo RBD gerava ainda mais atenção para o folhetim.

A trama apresentada pela Record desde o dia 21 de março manteve poucas semelhanças com o enredo mexicano. Os nomes dos protagonistas mudaram e a história foi bastante adaptada à realidade brasileira.

Sophia Abraão reconheceu a dificuldade em herdar o personagem da idolatrada Anahí, mas, não está fazendo feio na pele da “patricinha de bom coração”. No mesmo nível, Lua Blanco dá um tom mais brasuca à “rebelde sem causa”, anteriormente vivida por Dulce Maria. Já a Carla de Melanie Fronckowiak não lembra em nada a inocente “Lupita” (Maite Perroni). A modelo destoa pela aparência mais velha e se destaca apenas pela obsessão em busca do corpo perfeito.

Enquanto isso, o galã Chay Sued começa a ganhar mais cenas e mostrar realmente a que veio. O despreocupado e mulherengo Tomás se assemelha ao papel desempenhado por Christian Chaves como Giovani. Agora, a dupla que deve carregar o fardo de representar papéis correspondentes aos dos amados Alfonso Herrera e Christopher Uckerman é Micael Borges e o desconhecido Arthur Aguiar, respectivamente.

Micael Borges ressurgiu no cenário nacional como o badalado “primeiro protagonista negro de Malhação” e ficou apenas na promessa. Com atuação pífia foi sacado durante a temporada sendo substituído pelo então vilão Caio (Humberto Carrão). Sua aparência mudou e lembra o lobisomem Jacob de Crepúsculo. Seja pela entrada de moto no capitulo de estréia, pelas cenas descamisadas ou pelo corte de cabelo. O trabalho como ator ainda não convenceu, mas, só será verdadeiramente testado quando começarem suas participações musicais.

Cantor revelado na internet, Arthur está confortável no papel do mauricinho problemático, Diego. Entretanto, o grande erro está na forma com que o alcoolismo está sendo trabalhado com seu personagem. A situação do jovem bebendo a cada 5 minutos está muito forçada. Todo o instante é uma oportunidade para que ele esteja com uma garrafinha na mão para afogar as magoas ou comemorar. Seu relacionamento com Roberta começou de maneira mais branda e amigável. Na versão mexicana, os dois se odeiam desde o primeiro instante e levam dezenas de capítulos para se aproximar. Na trama brasileiro, Roberta e Diego se tratam razoavelmente bem e o rapaz já mostra interesse pela rebelde.

É muito cedo para julgar o produto oferecido pela Record. No entanto, é visível que a rejeição não foi tão intensa quanto se estimava. O único pecado capital da novela é justamente seu horário. Competir com “Morde e Assopra” é um duelo inútil. A trama poderia facilmente conquistar adeptos se fosse transmitida simultaneamente com “Malhação”. As armações de Rebelde, apesar de adaptadas, soam mais verídicas do que a cansativa e monótona trama da novelinha global.



*Da internauta Cristina Possamai (jornalista)