Record tem estrutura de teledramaturgia nunca vista fora da Globo

7 de janeiro de 2013 0 Por Endrigo Annyston

A falecida Rede Manchete e o SBT sempre produziram novelas. A primeira chegou a assustar a Globo com Pantanal e até próximo de seu fim sempre fez telenovelas. O SBT também, com investimentos mais modestos, mas nunca deixou de fazer. As mexicanas sempre tiveram espaço e costumam se sair muito bem.

O canal também realizou várias tramas nacionais em seus estúdios que também obtiveram bons resultados. Mas nenhuma dessas emissoras chegou perto da Record quando o quesito é estrutura. A Manchete tinha bons atores, mas só tinha uma equipe de produção. O SBT tem em seus quadros hoje também uma equipe de produção e apenas dois estúdios para gravação de novelas. A emissora não conta com um elenco fixo, já que os contratos dos atores são por obra e conta apenas com dois autores titulares: Íris Abravanel e Tiago Santiago, que não sei se ficará lá por muito tempo.

Já a Record, conta com mais de duzentos atores em seu banco de elenco, com oito ou mais autores e pelo menos com umas quatro equipes de teledramaturgia, que é um diretor cabeça mais seus auxiliares, como o núcleo lá da Globo. Além disso, a emissora tem o Recnov no Rio de Janeiro que tem nove estúdios só para teledramaturgia. Mas tudo isso não vem sendo bem usado. Falta estratégia. Quando as novelas iam bem na audiência exageravam na dose e as tramas costumavam ficar no ar quase um ano, o que com o tempo foi cansando o telespectador. Depois quando a audiência começou a baixar vieram as constantes trocas de horários, que tira qualquer um do sério.

Assinaram um contrato inútil com a Televisa, que sempre teve a cara do SBT, mesmo tendo todo esse aparato nacional. Aliás, contrato esse que termina em 2013 e não deve ser renovado já que não foi bom para nenhuma das duas emissoras. Em 2012 só parte de Vidas em Jogo e Rei Davi salvaram a teledramaturgia da emissora. Essa última por falta de tato da direção não rendeu o que deveria. Passavam reprises de capítulos anteriores com a minissérie ainda no ar, o que certamente desgastou os capítulos inéditos que poderiam ter rendido mais.

A emissora que chegou a gravar três novelas ao mesmo tempo e otimizar bem o seu elenco e o seu espaço hoje só tem uma no ar. O segundo horário ainda é dúvida já que Dona Xepa ao invés de entrar às oito meia da noite pode substituir Balacobaco e fazer sala para a novela do mais novo contratado Carlos Lombardi. O que tem chances de sucesso é José do Egito que tem sua exibição confirmada para janeiro.

O certo é que toda essa estrutura se bem usada, se amparada por um bom estrategista que saiba colocar bem os produtos da teledramaturgia na programação é válida, muito válida. Mas do contrário não serve de nada porque a maioria dos telespectadores não se liga nesses detalhes interessando-se apenas pelo que está no ar. Prova disso é que o SBT com sua modesta estrutura em 2012 conseguiu vencer as novelas da Record, com a inédita Carrossel e até com as reprises da tarde que muitas vezes dão a mesma audiência do grande investimento Balacobaco.

Anderson de Souza, o novo diretor de teledramaturgia da emissora, parece que aos poucos está conseguindo por ordem na casa no que tange à teledramaturgia, mas não depende só dele já que a alta cúpula sempre dá a última palavra e essa mesma alta cúpula é que vem fazendo grandes besteiras na direção na emissora. Vamos aguardar o que está por vir.  Fico por aqui, um abraço e até a próxima.


* Gilmar JM