Record x SBT: O novo duelo do século?

O telespectador brasileiro está acostumado a ser plateia na briga das emissoras em busca daquilo que lhe é mais precioso: números. Que ninguém se engane em buscar exatamente os benefícios da qualidade e usar um discurso sobre o papel social da TV. É preciso ganhar dinheiro e usar status para lidar com a máquina e para tanto vale dedo no olho, chute no saco e outras coisinhas mais.

Não é preciso entrar em grandes detalhes a respeito da, digamos, falta de ética, envolvida mas é possível manter-se atento a algumas particularidades da disputa: por aqui, a verdade é que a briga é pelo segundo lugar, mais ou menos como assistir F1 na era Schumacher. Um estabacos e trancos aqui e ali, mas a liderança segue sendo da chamada Vênus Platinada. Ameaças? De vez em quando surge alguma, algo que dê um susto ou uma lambada de vez em quando, mas as melhores brigas permanecem sendo pelo vice e os adversários principais são SBT e Record, Sílvio Santos vs Edir Macedo.

Desde que começou a ter aspirações que iam além de uma posição mais ou menos, mas sim ao topo, a Record investiu pesado em programação e elenco. Cresceu de uma forma surpreendente, ocupou uma posição importante na briga, mas junto ao voo também vieram erros imperdoáveis: nos últimos tempos, a Record vem sentindo na pele a falta do planejamento e da repetição dos erros clássicos de uma adversária conhecida e passou a sofrer efeitos mais que notáveis. Algo que vem se refletindo duramente em sua audiência.

Por sua vez a tal adversária conhecida, o SBT está ressurgindo após um duro baque que vai desde a perda da vice-liderança que aconteceu em meados de 2005, até os problemas nas finanças de seu proprietário. E ressurgindo de forma surpreendente: no lugar dos velhos erros do passado – leia-se aqui, “grade flutuante” – temos um pouco de organização nostalgia e acima de tudo carisma. Sim, apenas o carisma pode explicar o fato dela lutar de igual para igual com sua principal adversária e conseguindo números superiores, isso tendo produtos quase trash em simples comparação. Diferença essa mais do que exposta, seja na base da ironia ou da gratidão. Cada um expõe o que tem da melhor forma que pode. O jeitinho típico do SBT sempre envolveu a provocação.

A lição? Provavelmente aprendizado. Quem tem disposição para aprender acaba evoluindo invariavelmente, mesmo que outrora tais erros tenham sido uma marca registrada. O resultado da briga? Só esperando para ver: o desfecho é tão improvável quanto uma luta sem regras.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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