Saúde em pauta, já o equilíbrio nem tanto

Quem acompanha assuntos relativos ao jornalismo já deve ter percebido que nos últimos tempos as pautas sobre saúde tem invadido todos os espaços. Nunca a ideia de uma vida saudável teve tanto destaque na mídia: seja no jornal, na internet ou na TV a todo momento há uma nova dica, um novo estudo ou algo relativo ao assunto. Porém há singelas diferenças de acordo com cada veículo: quando estamos falando em mídia impressa ou internet dá para fugir, escolher aquilo que mais interessa e formar sua própria teia de informação, com mais ou menos possibilidades. Porém quando o negócio é a TV não tem como escapar…

A grade de programação de muitas emissoras abertas vem tomando esse tema como uma constante e isso deveria ser uma coisa boa, não é? Deveria sim, porém tudo aquilo que surge em excesso pode fazer mal, ser indigesto. Ok, sei que o trocadilho foi péssimo, mas tome como exemplo programas como Globo Repórter, que durante muito tempo falou tanto no poder da alimentação, em dieta, em alimentos que curam e derivados que no fim parecia que as pautas vinham do SEASA? Ou em programas que não param de citar benefícios da dieta – o que é interessante – porém demonizando tudo aquilo que não a segue?

Nos últimos tempos o panorama tem mudado um pouco. A saúde deixou de ter explorada somente a pauta da alimentação e passou a incluir outros atos rotineiros como o sono, a higiene e também as doenças pouco mais prosaicas além do câncer ou da hipertensão, tão em voga nesses tempos modernos. Já passa a explorar outros aspectos como o excesso de bebida entre os jovens ou aspectos mais subjetivos de saúde ao abordar algo como solidão. Isso tudo em programas variados, seja onde saúde surja como a peça-chave ou onde ele seja somente uma opção entre tantas outras, descobrindo novas formas de abordagem.

A saúde tem muitas vertentes, mais amplas do que se pode imaginar, possibilitando sua exploração das mais diversas formas desde a frieza de um simples informativo até  o apelo humano extremo. Se você pensar bem, tudo pode ser relacionar a equilíbrio, ao bem estar e ao tão perseguido ato de viver bem. Apenas espero ver um dia pautas cujas negativas e restrições não tenham de ser demonizada em prol de uma filosofia onde a vontade própria precise ser estimulada dia-a-dia. Onde a ideia de equilíbrio seja realmente levado a sério, em todos os sentidos.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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