Saúde invade a TV, mas ainda foca nas doenças

*Por Wander Veroni 

Ter mais qualidade de vida, praticar hábitos saudáveis, comer bem e prevenir doenças. Afinal, ninguém quer ficar doente, não é mesmo? Quem não quer ter bem-estar? Mas, a dúvida que não calar: e aí, doutor? Como fazer isso? A resposta, aparentemente, chegou à TV aberta – seja por meio de programas específicos ou quadros nas mais variadas atrações. Mas, falar de saúde é falar de doenças? Não necessariamente. Falar de doença é importante, quando se quer promover a conscientização. Mas, falar apenas de doenças não é falar de saúde.

Na ânsia por audiência e por resultados cada vez mais rápidos, muitos programas, às vezes, se esquecem desse cuidado. É possível tratar o tema de forma mais otimista (e otimizada), mostrando que a editoria saúde conversa bem com comportamento, política, esportes, alimentação, campanhas sociais, cultura, internet, meio ambiente, etc. Claro, tem hora que é fundamental falar de doenças. Até porque não há estratégia melhor do que a informação, aliada a ajuda de um bom médico, para promover a saúde. Mas transformar a doença em show pode ser um caminho sem volta e com prazo limitado. Num primeiro momento, o telespectador pode se identificar, mas cansa. Cansa de ver que as mesmas pautas serem tratadas da mesma maneira: o especialista fala, o debate acontece sala de estar do estúdio e o assunto não amplia. Complicado….

Nesse primeiro semestre, a TV redescobriu a editoria de saúde e lançou programas específicos com o intuito de fisgar o público carente de informações relacionadas à saúde e que sofre, muitas vezes, na fila dos hospitais e postos de saúde a procura de atendimento. Informação também é prevenção. É essa filosofia que o Ministério da Saúde prega por meio da Política Nacional de Promoção de Saúde. Acredita-se que a busca de melhoria da qualidade de vida da população pode se dá também por meio da mobilização social e da divulgação de informações que podem fazer a diferença na vida das pessoas a partir da prevenção, dos cuidados consigo mesmo e, principalmente, com a comunidade.

Sim, antes ter algo na TV do que não ter nada. Mas é preciso ter mais cuidado quando se fala de saúde. Tudo bem que ainda não temos um modelo de saúde excelente, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) tem os seus acertos e equívocos. Conhecer o SUS e as diretrizes do Ministério da Saúde ajudaria não só o público, mas principalmente os produtores de conteúdo a repensar a editoria de saúde como instrumento de informação e prestação de serviço. Não que a TV deva ser um instrumento panfletário do governo, não é isso. Mas é preciso conhecer de perto o que temos para não fazer sensacionalismo com uma opinião de senso comum sobre algo que poucas pessoas têm acesso – não por ser um conhecimento fechado, mas por falta de interesse de mostrar o outro lado do SUS, que sofre por ser menosprezado por algumas autoridades que não levam a saúde tão a sério quanto deveria.

Não só a TV aberta descobriu a saúde, como as TVs fechadas. É possível ver vários programas na TV Paga que falam não só de saúde, mas de estética, esporte, alimentação e bem estar. Há ainda o nicho das TVs segmentadas, como o Canal Saúde, da Fiocruz e Ministério da Saúde, e o Canal Minas Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e Fundação Renato Azeredo. O primeiro pode ser assistido por parabólica e pela Oi TV. Já o segundo, apenas por parabólica em Unidades Básicas de Saúde de Minas Gerais (UBS), Gerências Regionais de Saúde (GRS) e Centros Viva Vida e Mais Vida. Ambas as emissoras tem a proposta de informar o telespectador e capacitar profissionais da saúde por meio de programas que falam sobre promoção da saúde, políticas públicas, cidadania, tratamentos, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, meio ambiente e sustentabilidade, entre outros. É uma conquista e tanto no trabalho de promoção da saúde!

Há um pouco mais de um ano me tornei repórter setorista de saúde, do Portal Minas Saúde, do Canal Minas Saúde. E posso dizer, por experiência própria, que a editoria de saúde é rica e exige uma pesquisa constante, criatividade e atenção, como em qualquer outra editoria. Mas, acima de tudo, faz um convite importante para que nos desprendemos dos nossos próprios pré-conceitos em relação à saúde pública: tem coisa que funciona bem, outras que precisam ser expandidas para todo o Brasil e pontos que merecem ser melhorados como qualquer outro sistema que não depende só das pessoas, mas do poder público, de uma forma geral. E isso leva tempo….tempo, principalmente, quando algumas pessoas ainda não se conscientizam em relação a importância do voto. Mas isso rende um outro debate para um próximo post, quem sabe.

Mais do que falar e conhecer o SUS é importante reconhecer que as TVs estão redescobrindo a editoria de saúde. Durante tanto tempo, a saúde só era lembrada na hora que alguém tinha que fazer uma denúncia por falta de atendimento ou uma doença trágica ganhava as manchetes dos noticiários. Falar de saúde é falar de qualidade de vida. E quanto mais o público tem acesso a esse tipo de informação, melhor ele poderá se cuidar e fazer da comunidade que ele mora um lugar melhor para se viver.
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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.



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