SBT: 30 anos de glórias, reviravoltas e um belo de um sacode.

E eis que depois de tanta badalação antecipada, finalmente está chegando a data de apagar as velinhas do bolo. A pompa se justifica, afinal são 30 anos de muita história e também de algumas reviravoltas.

É de conhecimento público que os últimos anos não foram fáceis para o SBT. A acomodação quanto à sua imagem e a confiança inabalável de que seu lugar no Ibope seria eterno causaram problemas em grandes proporções. A eternidade na qual apostavam não era tão eterna quanto o “felizes para sempre” dos contos de fadas. Além da crise financeira que atingiu os empreendimentos de Sílvio Santos, seu dono, proprietário e mentor intelectual, ainda houve a inesperada – ou nem tão inesperada assim – queda para disputa do terceiro lugar da audiência. Ou seja: um belo de um sacode.

O que mudou? Difícil dizer tendo em mente que seus elementos característicos continuam firmes e fortes: as séries estrangeiras e enlatados que todos amam, a não necessariamente seriedade quanto à horários, ou Chaves substituindo qualquer coisa e auxiliando em disputas que parecem impossíveis e se saindo muito bem. Talvez o que tenha mudado seja a percepção de que confiança não é o bastante e de que a situação não é e nunca será algo que permita tamanho conforto. Não estamos nos velhos tempos onde o cenário era tão definitivo. Na briga pela segunda colocação há quem esteja ambicionando e fazendo de tudo para estar no topo do pódio, nem que seja por um ou dois minutos, o que é louvável em termos de esforço. Uma briga difícil, mas não impossível. As razões para acreditar não são tão abstratas quanto a fé prega.

O SBT não é  mais encarado como apenas um hobby de seu dono, tendo agora a responsabilidade de dar certo. Há agora uma percepção mais atenta quanto à seriedade e credibilidade, mesmo que os humores de Sílvio ainda faça uma coisa ou outra lembrar os velhos tempos. Há o investimento e também a torcida, já que aparentemente a memória dos velhos tempos faz com que o telespectador tenha mais simpatia por tudo que esta emissora representa, seja pelo bem ou pelo mal, do que a velha apelação do mundo cão de seus concorrentes. E isso é uma vantagem e tanto sob qualquer aspecto.

Os olhares agora estão atentos para a continuação da história. Tal como o próprio aniversariante, o público com certeza deseja e espera por anos mais generosos desde que faça por merecer, assim como toda a criança que espera pelo presente tão cobiçado sob a exigência de um bom comportamento.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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