SBT comemora 30 anos e aprende a ouvir mais o publico

 *Por Wander Veroni 

Três décadas falando do povo para o povo. No dia 19 de agosto, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) faz 30 anos. Se pararmos para pensar, durante todos esses anos, a emissora de Silvio Santos sempre foi popular, seja nos programas de auditório – que são a marca registrada do canal; como nos infantis, nas séries e nos filmes. Nas comemorações de seu aniversário, o SBT reassume o seu papel popular, mas está mais ligado de que ele não possui a “liderança absoluta entre os vice-líderes”. Record, Band e RedeTV! também estão brigando por esse posto, enquanto a Globo reina folgada na liderança.

Folgada até a página 2. Apesar de a imprensa divulgar mais a audiência de São Paulo como se fosse a nacional, já é sabido que em várias regiões do Brasil, a ordem de quem lidera e de quem está na vice muda completamente, não só na média dia, quanto em determinadas faixas. Para ser a “TV mais feliz do Brasil”, o SBT teve que rebolar e aceitar que o telespectador não está tão passivo quanto antes. Aprendeu que não pode mudar o horário de tudo toda hora e sem avisar o público e, aos poucos, está resgatando o telespectador que havia migrado para os outros canais. Outro saldo curioso desses 30 anos é que o canal está investindo muito em reprises, enlatados e formatos do exterior. Cadê a criatividade?

Neste ano, o SBT consolidou-se como a emissora da classe C, a classe que mais cresce no país. Voltou a investir em produção de programas, realitys e novelas. Aliás, é na teledramaturgia que o problema é mais gritante, pois a direção ainda não encontrou o melhor horário para as obras inéditas. À tarde, a reprise de “Amigas e Rivais” chega a pontuar melhor que a inédita “Amor e Revolução”. Será o horário ou culpa de um roteirista deslumbrado que não aceita críticas e diz que vai mudar de nome no Twitter? O fato é que há quem defenda que o SBT exiba novelas somente na faixa vespertina e deixa o horário nobre para realitys, games, jornalismo, filmes e séries.

Outro calo no pé  do SBT nesses 30 anos é o seu departamento de jornalismo que desde a saída de Ana Paula Padrão vem afundando a cada dia. Com a entrada de Alberto Villas na direção nacional de jornalismo, o SBT Brasil se descaracterizou e virou um telejornal leve e recheado de pautas frias, sendo mais fútil (e gelado) que o Jornal Hoje, da Globo. Carlos Nascimento foi escondido nas madrugadas e o premiado Roberto Cabrine (que ganhou o Prêmio Esso de Telejornalismo) teve seu Conexão Repórter diminuído na grade. O melhor acerto foi a contratação de Marília Gabriela, no De Frente com Gabi, que tem realizado ótimas entrevistas e tem alcançado números expressivos de audiência.

Mesmo que a direção do SBT fale que as pesquisas querem ver um telejornalismo diferente e mais leve na emissora, nada justifica descaracterizar o SBT Brasil. Seria muito melhor ter criado uma revista eletrônica semanal e/ou diária para suprir esse público e deixar, pelo menos no horário, o principal telejornal da Casa quente e, quem sabe, mais opinativo. O único telejornal acertivo do SBT é o SBT Manhã que encontrou um tom certo de informar e entreter o público, além de uma ótima audiência. Apesar das dificuldades de se erguer o telejornalismo no SBT, não se pode negar que a TV de Silvio Santos é a que mais ousou em experimentar formatos na história da TV aberta….e isso, apesar dos pesares, é muito válido.

No entanto, se me perguntarem qual foi o marco do SBT nesses 30 anos, respondo sem titubear que foi a primeira edição de Casa dos Artistas. O reality show, simplesmente, parou o Brasil e deixou popular esse formato para o público. Livremente inspirado no Big Brother, Silvou pegou a base da idéia do programa e o lançou antes, porém com (sub)celebridades. Até hoje, a primeira edição da “Casa” é lembrada pelo público e pela majestosa apresentação de Silvio Santos que pegou o espírito da coisa: tinha o tom certo de interagir com os participantes e provocar o público. Deixou saudades…

Ah, mais a grande estrela do SBT está no ar desde 1984 e é o grande coringa da programação. Trata-se do seriado Chaves, produzido pela Televisa, mas que é um verdadeiro sucesso e que faz parte da história do canal. Com um humor pastelão e muito ingênuo, o seriado já foi reprisado várias vezes, mas toda vez que entra em cena, sempre alcança números bastantes positivos no Ibope. Recentemente, para comemorar os 30 anos do SBT, a emissora resolveu exibir “episódios perdidos” e fez alegrias dos fãs. Chavez é, sem dúvida, quem mais merece as honras da Casa neste aniversário!

Mas o fato é  que o SBT balzaquiano está mais atento e disposto a ouvir o telespectador, principalmente via internet. “Valorizamos tanto a opinião dos telespectadores que abriremos nosso site [a partir do dia 19] para receber sugestões das pessoas que acompanham o SBT e que vão nos ajudar a construir uma emissora cada vez melhor”, diz Daniela Beyruti, diretora artística e de programação do SBT. E Daniela está certa: não adianta fazer TV pensando só em números, é preciso ouvir as pessoas e deixá-las fazer parte do processo, porque elas são a parte mais interessada, ou seja, quem assiste. Basta olhar não só essa, mas outras declarações da direção do SBT que vemos a emissora mais preocupada em “ajeitar a Casa” e brigar com unhas e dentes pela a vice-liderança. O público, aos poucos, já está comprando essa idéia. Até porque a “TV de Primeira” está cada vez mais “atrapalhada”. É hora do ataque!
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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.  

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