SBT, a responsabilidade no jornalismo e as eleições

23 de outubro de 2010 0 Por Endrigo Annyston

O jornalismo nacional viveu momentos curiosos nos últimos dias.

De um lado uma nova reformulação no Jornal da Cultura, agora mais opinativo e sob o comando de Maria Cristina Poli; do outro a repaginada total da GloboNews que ganhou uma nova identidade visual totalmente elogiável.

Qualquer erro técnico nesse tipo de ocasião, quando se coloca em prática uma mudança, é perdoável. No entanto, tudo correu normalmente;

O problema veio de outro lado: o SBT virou o centro das atenções no noticiário nos últimos dias por algo que não pode acontecer em hipótese alguma: a falta de informação.

O SBT Brasil noticiou que José Serra, candidato a presidência, foi atingido por uma bolinha de papel. Lula e Dilma acharam que poderiam tirar vantagem disso e criticaram o adversário político, dizendo que ele fez drama por nada e inclusive se submeteu a uma tomografia que também teria feito parte da encenação.

Eis que o Jornal Nacional veio com uma matéria completa sobre o assunto, mostrando a imagem do SBT e uma da Folha, que registrou a segunda agressão, onde realmente Serra havia sido atingido por um objeto não identificado e, aí sim, teria se encaminhado a um hospital.

Poderia ter sido uma matéria incompleta do jornalismo do SBT que talvez não fosse notada, mas se, e somente se, não tivesse tanta importância nesse momento, quando estamos as vésperas de eleição que revelará o nome do novo presidente do país.

Dependendo a proporção que esse fato tomar, pode alterar o resultado das urnas. E é claro que não houve a intenção do jornalismo do SBT em ocasionar todo esse bafafá – usado por Dilma e Lula -, poderia ter sido qualquer outra emissora. É que virou um mico e dessa vez não estava relacionado aos apresentadores do jornalístico que ou tiveram que encerrar o jornal as pressas ou não sabiam a atração seguinte, ou seja, apesar de tudo já estão acostumados a ser motivo de chacota desde o “jornal das pernas”, enfim…

Mas abre novamente a discussão sobre o que deve ser feito no jornalismo – e aqui falamos de jornalismo sério, não sensacionalismo -: pode-se mudar o cenário, vinheta, logo, mas jamais, jamais, a informação pode ser apresentada incompleta pois arranha a credibilidade de qualquer veículo – e não há imprensa que sobreviva sem essa palavrinha.

De qualquer forma é sempre bom saber que o jornalismo continua sendo importante em nosso país e o centro dos debates.