Sessão de Terapia: 5ª Semana (1×21 – 1×25)

3 de novembro de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Uma 5ª semana com mudanças na postura de Théo, principalmente quanto a sua maneira de lidar com seus pacientes. Impossível não ver a humanidade do personagem ao deixar os sentimentos extravasarem por seus poros.

Júlia Rebelo (1×21)

Será esta a última semana de Júlia? Ela garante a Théo que não dá mais para sustentar a terapia, e ele já iria falar sobre começarem a finalizar o processo, ainda mais que fica óbvio o intuito dele ao se arrumar, em transmitir mais tranquilidade a paciente.

A maneira como Théo sai de seu papel de terapeuta é evidente, pois ele sente ciúmes de cada conversa com Júlia, como quando ela conta que seduziu um homem mais velho quando era mais nova.

Júlia ainda deixa claro que não quer mais a terapia por não conseguir estar com Théo, mas não tê-lo e diz como isso afeta seu trabalho, como quase matou um paciente por ficar tendo devaneios com ele.

Na hora da despedia, um abraço inesperado e Théo se entrega ao mesmo e retribui o abraço. Os conflitos entre os dois devem ficar mais intenso, pois não dá para sentir que ela irá largar, e com certeza voltará com mais problema na próxima semana.

Breno Dantas (1×22)

As coisas ficaram feias para Théo nesta sessão e digamos que demorou para isso acontecer e trazer mais humanidade ao personagem, só acho que a edição atrapalhou um pouco para nos deixar conectar mais com o personagem de Zécarlos Machado.

O desenvolvimento de Breno vem sendo intenso, afinal, desde o começo ele busca naquela sessão uma maneira de sentir um pouco mais humano, de receber o carinho ou as palavras que seu “pai de aço” não lhe dá, ficando mais no gelo e na dureza do que no carinho com o filho.

Toda a sessão foi rodeada por Júlia e sua insistência em manter Théo dentro de seus contatos com Breno. Se ele buscava em seu terapeuta uma maneira de ficar próximo a ela, Júlia buscava entender mais de sua paixão platônica.

O estouro de ambos demorou a chegar no ápice, mas chegando foi intenso, impossível imaginar ver Théo rompendo sua barreira e agarrando o pescoço de Breno, mas aconteceu ao ter toda sua família e sentimentos expostos pelo paciente.

A chegada de Clarice foi pontual. Théo ficou observando cada movimento da esposa, mas não teve coragem de conversar com ela, apenas atacar e fazer comentários, sem saber que seu romance acabou e que ela quer uma chance com ele. O momento em que ele baixou a guarda foi decisivo em sua decisão de ir com ele a terapia com Dora.

Nina Vidal (1×23)

Em alguns episódios eu reclamei da edição, mas neste os cortes e ângulos estavam muito bons, transmitiu bem todos os sentimentos dos personagens, e Selton Mello dirigiu muito bem a linda Bianca Müller e Gabrielle Lopez.

Angústia, medo, raiva, tristeza, desprezo, ódio, amor, tudo tão embaralhado, que a vida de Nina vive uma verdadeira confusão, ela separa tudo em preto e branco, bom e mau, quem lhe ama e quem lhe odeia, e tudo isso a faz pensar em remover essa tristeza de seu corpo, e o suicídio é a única saída que ela encontra para dar fim nisso tudo.

“Eu só queria acabar com esse meu lado fraco. Esse lado que não serve pra nada.” – Nina



Foi interessante nos mostrarem esse conflito entre Nina e Isabel para enxergarmos os problemas da garota, ver que a mãe a seu modo faz o possível para estar próxima dela e demonstrar seu amor, mas algo afasta as duas, e Nina só vê más intenções nas atitudes da mãe.

Théo vê toda a discussão delas boquiaberto, analisa, tenta ver os pontos de Nina, mesmo assim não compreende o motivo de defender tanto o pai ausente, enquanto sua mãe pede desesperada por atenção.

É aí que vemos que Nina cedeu e se conectou a Théo, falando mais de seus sentimentos e até aceitando o fato de que sua tentativa de suicídio pode ter sido para chamar a atenção de seu terapeuta e acabou conseguindo entender que ele tem sentimentos por ela, que a vê como uma filha.

Adorei o episódio, a tensão, tudo muito bem explícito e finalmente extravasado pelos personagens, só senti falta mesmo é de uma continuidade a trama de Théo e Clarice.

Ana e João (1×24)

Pela primeira vez Ana e João conseguem chegar juntos a uma sessão, e é nessa vez que eles falam que irão se separar. Não me pega de surpresa a decisão dos dois, mas é óbvio que os sentimentos de um pelo outro estão abalados com essa decisão.

A principal meta de Théo aqui é fazer com que os dois parem de se violentar, fisicamente ou verbalmente, e isso passa a ser um dos fatores da terapia. Uma coisa que decidiu na decisão de separação foi o fato de João tê-la ameaçado de morte logo após transarem.

A maneira como eles transferem a dor, o ressentimento e a culpa para o filho deles acaba sendo uma maneira de um atacar o outro ferindo quem eles mais amam, que é o moleque.

A conversa do divórcio paira o ar o tempo inteiro, desconfiança, dor e tudo fica parecendo ainda mais forte entre o casal, ela não cede ao pedido e João cede, chorando, praticamente implorando-a que não o abandone.

Semana intensa para Théo que tem de lidar com sentimentos a flor da pele em cada uma de suas sessões e isso afeta bastante o seu próprio desenvolvimento.

Dora Aguiar (1×25)

E na última sessão da semana foi hora de colocar em prova os problemas de uma relação, uma relação onde ambos os lados está descrente do que acontece entre eles e de como podem se salvar depois de tantos anos.

Clarice e Théo chegaram ao limite e estão dispostos a tentar corrigir erros, mas principalmente se perdoar por anos de submissão, afinal, é isso o que ela sente, como se tivesse sufocado quem realmente é para agradar o marido. Ela não se sente espontânea nem desejada, e ele também, por isso gosta da atenção de Júlia.

Júlia foi o motivo da discórdia da terapia, mas antes já era possível ver os problemas. Clarice a todo instante impedia que Théo transformasse a sessão de Dora em uma sessão dele, analisando as coisas de forma sensata, fria e calma. Julia foi o alvo, pois Clarice não aceita o fato da paciente ter a transferência erótica e acredita que o marido transava com ela pensando na outra.

Dora cutucou os dois de todos os lados, mas pouco foi explorada sua personalidade, mostrando apenas seu desconforto quando Clarice a questionava sobre o passado do marido e até dela mesma.

Maria Luíza Mendonça conseguiu puxar para si as atenções do episódio e pode ser nossos olhos e ouvidos diante dos outros dois personagens, buscando entender a relação deles e como tudo aquilo mexeria na relação de Clarice.


* Danilo Artimos, editor do Episódios Comentados.