Sessão de Terapia: 6ª Semana (1×26 – 1×30)

Em 6 semanas a série demonstra uma evolução deliciosa entre pacientes e terapeuta. Esse desenvolvimento, a maneira como o roteiro vai se amarrando durante a temporada, é o que dá charme a série.

Júlia Rebelo (1×26)

Para alegria de Théo, Júlia está de volta. A intimidade entre eles parece ter dado vários passos para trás, mas o terapeuta se abre, mesmo que ela sinta aquilo como um jogo, uma brincadeira estranha.

É estranho ver ele se fragilizar e deixar transparecer seus sentimentos, mostrar a importância dela como paciente e mulher em sua vida, mas não vai além disso, o que frusta, pois deixa com ela a sensação de que os abraços serão os únicos contatos entre os dois.

Júlia entra em detalhes de quando foi “deflorada” pelo homem mais velho e Théo compreende que é dali que vem os problemas dela e vai fundo no assunto, mas Júlia está ali para desabafar, seu pai está doente.

Na saída de Júlia, uma surpresa: Clarice.

Breno Dantas (1×27)

Sergio Guizé foi fundo em seu personagem e trouxe a tona sentimentos complexos para o mesmo e o fez ter um dos melhores momentos de Breno até então. O cara trouxe todas as nuances e confusões de forma a nos fazer querer lhe dar um abraço e um tapinhas nas costas.

Tudo o que Breno expôs foi moldado pela criação severa do pai, e Théo explorou bem cada pedacinho, cada brecha dada. Para o pai de Breno, demonstrar fraqueza é ser gay, e ele já não consegue conviver com a própria dúvida, precisando só de um empurrãozinho.

Seus sonhos, Milena e o pedido para irem ao motel, e até Júlia, foram apenas válvulas de escape para se reafirmar e nada mais. Seus sentimentos por Tito e Fábio, a vida que os amigos levam, e até a vontade de experimentar, tudo é novo e amedrontador para ele, principalmente ao vê-lo imaginar desapontando o pai, o homem de ferro que ele idolatra.

Théo tenta a todo custo deixá-lo confiante em sua decisão, fala de seus sentimentos, de como ele pode estourar, transbordar, de tanto ficar guardando isso, e é exatamente o que acontece, Breno chora. A despedida dos dois, a dúvida entre ficar, voltar ou não, é tão exposta, que fica evidente que Breno só queria um abraço, mas foi fraco em pedir, em ceder.

Nina Vidal (1×28)

O foco de Théo nessa terapia de Nina passa a ser a retomada de controle que a garota precisa ter em sua vida. Um dos momentos que mais percebemos isso é quando ambos abordam o fato dela não comer, pois sua mãe quer que ela coma, e dela ficar doida de fome, pois Leon está achando que ela engordou.

Esses dilemas Nina carrega a todo instante, querendo contrariar as coisas a sua volta e em nenhum instante ela demonstrar fazer o que realmente quer, ao menos longe da sala de Théo, onde ela sente que está protegida e até lhe dá um sorriso sincero.

Seu pai se torna assunto na sessão e tudo por conta de um livro que ela detesta, e que todos dizem que eles só compram aquilo para bater punheta. Essa falta de controle e conexão com seu pai lhe deixa insegura, totalmente fora de si, é por isso que ela cria uma ilusão de conexão forte com ele, mas sabemos que não é bem assim.

O ponto alto é quando ambos perdem o controle quando Théo insinua que Nina foi abusada por seu pai. As coisas saem do controle, ela grita, o ofende e Théo apenas a observa e tenta deixar claro que não é essa intensão, e com isso a deixa novamente confortável, em seu porto seguro.

A história da pizza foi até engraçada, pois foi estranho a reação do médico ao ter um motoboy lhe fazendo uma entrega às 9h da manhã…

Ana e João (1×29)

Mariana Lima conseguiu levar sozinha o episódio mostrando as dores de Ana que Théo conseguiu ir peneirando fundo em seu íntimo, e sem a presença de João a terapia conseguiu ser mais intensa para ela.

A ausência do homem que ela ama, mesmo que não assume, foi importante para ela se “desarmar” e ficar mais a vontade com o terapeuta, abrir completamente seu coração. Tudo bem que ele teve que abusar da situação e dar mais volta para fazê-la contar de sua infância problemática, onde só tinha o carinho do pai que morreu quando ela tinha 13 anos.

É aí que ele entende as atitudes de Ana em se vingar das pessoas na cama. Ela fez isso com a irmã, dormindo com um garoto que a garota a humilhou na frente, e esfregando na cara da irmã que ele disse que ela era melhor.

A maneira como Théo contornou a situação e fez ela entender que trair João pode ser um problema maior para ela mesma foi interessante, aina mais no ponto em que fica entendido que João é o novo porto-seguro dela, o homem terno e tranquilo, mas que ela tem chegado nos limites com ele.

Dora Aguiar (1×30)

É muito estranho, mas dado o passado entre Dora e Théo, a sensação que tenho é que ela parece gostar de cutucar o colega, de forçá-lo na posição de paciente e praticamente algemá-lo quando ele tenta analisar Clarice, e ela faz isso com um certo prazer.

Mas o tema deste episódio foi centrado no fato dos filhos começarem a perceber que quando estão mais felizes ou fazem besteiras, os pais se unem e agem como tal. O fato de Malu se esforçar nos motivos para deixá-los preocupados pode ser isso, a falta de uma imagem paterna.

Fato é que quando o assunto cai em Júlia as coisas se complicam. Clarice acredita nas armas da rival e Dora coloca Théo em uma delicada posição ao expor que agora que Clarice está mais independente, mais dona de si, ele se apaixonou pela fragilidade e dependência de Júlia.

Lógico que a maneira como Dora vai conduzindo a terapia vai se tornando cada vez mais invasiva e enquanto Théo vai se defendendo, criticando a colega, Clarice simplesmente se cansa daquilo tudo e vai embora.

Novamente temos o fim de uma semana intenso, com sentimentos mais a flor da pele, mas muito mais contido, sem os estresses da semana anterior, onde Théo perdeu a paciência e atacou Breno.

* Danilo Artimos, editor do Episódios Comentados.



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