Sessão de Terapia: 8ª Semana (1×36 – 1×40)

Júlia Rebelo (1×36)

Mais um episódio forte e sincero. É bom quando tiram o ar de superioridade de Théo e o deixam mais humano. Com a morte de Breno ele fica vulnerável, sem saber como se portar, e é durante seu funeral que ele reconhece todos aqueles “personagens” que ouvia seu paciente falar.

A presença de Júlia foi importante para ele colocar seus sentimentos para fora. Se na semana passada eles tiveram momentos leves e conseguiram até me fazer rir com a história dele cochilar na primeira sessão dela, aqui novamente vemos uma barreira entre eles.

Falar sobre Breno é inevitável, mas o assunto acaba caindo para o relacionamento deles, e Júlia fica ressentida e entende tudo o que seu terapeuta diz, indo embora magoada com suas palavras, mas sabendo dos motivos daquela relação nunca funcionar.

Théo lhe conta de como seu pai, também terapeuta, acabou se apaixonando por uma paciente muito mais nova e largou a família para viver aquela paixão, e que prometeu nunca ser como o pai, tendo esses comportamentos egoístas.

Zécarlos Machado e Maria Fernanda Cândido estavam ótimos em cena.

Breno Dantas (1×37)

Até que ponto fazer terapia é importante? Até onde devemos condicionar o nosso cérebro a recordar as memórias passadas, sejam boas ou ruins? É com esse pensamento, e com a certeza de que terapia é um lixo, que vemos Antônio (Norival Rizzo, “9MM: São Paulo”) adentrar o consultório de Théo.

A sessão como sempre parece tranquila, mesmo que Antônio a todo instante instiga o terapeuta a sair de si falando sobre o trabalho do terapeuta e até comparando o mesmo com o serviço de putas. A todo instante parece que o pai de Breno sairá de controle, mas não se permiti se quer chorar pela perda do filho.

Sua história é trágica, sempre foi o machão, não acha que fez errado em sem querer matar o pai, que tossindo os entregaria a ditadura, e todo esse passado duro, acabou moldando a maneira como criou o próprio filho.

Impossível não relembrar as dores e sofrimentos de Breno ao ver seu pai falando de maneira grosseira de seus gostos, de como achava que o filho era delicado, e como suprimiu isso nele. Só que Théo deixa claro, uma vez que você sonha com algo e esconde isso, uma hora ou outra esse sonho retorna e com força.

Antônio não aceita o filho frágil e ri de tal possibilidade, mesmo sabendo que dentro de sua tropa os companheiros de Breno achava o mesmo.

Théo se manteve tranquilo até mesmo no ponto alto do episódio que foi sua alucinação sobre a morte de Antônio. Impossível não rir e imaginá-lo cochilando assim como fez com Júlia.

Tudo termina de forma intensa, mas controlada. Antônio perdeu as estribeiras e deu um tapa em Théo, mas o mesmo soube se manter tranquilo e até quis devolver a máquina de café de seu paciente, mas Antônio não a aceitou.

Nina Vidal (1×38)

As confusões na cabeça de Nina seguem forte, mas aqui parece que chegamos a uma conclusão e Théo é fundamental em sua condução do tratamento.

O maior desespero da garota é não conseguir se conectar com a mãe e isso a consome, pois finalmente entende os erros do pai e como dói imaginar isso. Aqui ela se encontra na ausência do pai, no abandono, na falta de amor que ele pode ter por ela.

Théo expõem os erros da garota em colocar em si o peso das decisões dos outros, principalmente de seus pais. Ela precisa ficar mais tranquila, relaxar e viver uma coisa de cada vez, e ainda explica que as mudanças extremas e erupções de seu corpo são preocupação. Preocupação que uma garota de sua idade não deve ter, afinal seus pais são adultos.

É analisando o diário dela é que ela compreende que sempre sonhou que a mãe lhe estendesse a mão e compreendesse o que passou, mas não cabia a ela ficar analisando isso.

A maneira como ela fica ao fim da sessão, totalmente aliviada e decidida a seguir em frente com sua vida, dando certo ou não na ginástica, a deixou mais tranquila e novamente podemos ver seu sorriso, e por consequência o de Théo e depois de sua mãe.

E não tem como não elogiar esse elenco, Zécarlos Machado e Bianca Muller levaram este episódio de maneira intensa e isso nos transmitiu a verdade necessária de seus personagens, além disso a direção de Selton Mello foi ainda mais intimista. Sinto isso com a personagem por ela ser menor e necessitar de uma delicadeza maior em sua condução.

Ana e João (1×39)

Há algumas semanas tivemos um episódio totalmente intimista entre Ana e Théo e a mesma se abriu, contou sobre seu passado, os problemas de sua família, a morte dos pais, a irmã valentona, tudo veio a tona. Agora chegou a vez de João.

João foi praticamente pedindo socorro. Socorro para ter a guarda do filho, para ter sua carreira, para ter sua esposa e sua família, um socorro velado e assinado com os antidepressivo vencidos que ele vinha tomando.

O desenvolvimento do personagem, seus medos, neuras e até alucinações, mostraram como ele está fragilizado com a possível separação de Ana. E quando o assunto infância vem a tona e as comparações com seus pais é inevitável, ele vê em Ana coisas marcantes que os dois tem.

Théo, que não deixa nada passar, explora o lado da mãe, brincalhona, sempre atrás de uma pessoa forte a seguir, e Ana tem isso, e seu caso com Veloso expõe esse lado, mas ela também tem o lado de seu pai, sempre fechado, disposto a humilhar para se sentir melhor.

João se sentiu bem ao se ver compreendido e dá abertura para Théo também se abrir, e é aí que ambos tem uma verdadeira conexão, pois o terapeuta fala da perda de Breno.

Dora Aguiar (1×40)

Mais intimista impossível e olha, achei que o episódio fosse inteiro ficar entre os rancores entre Dora e Théo, mas errei feio. Foi um episódio sincero e forte, e nos trouxe a beleza da atuação de Selma Egrei.

“Você é o seu único oponente.” – Dora

Logo no começo do episódio vemos um Théo falante, atacando a todo instante e usando a morte de Breno para espantar Dora, deixá-la desarmada para que ele possa atacar fortemente. O que ele vê em Dora é uma força da natureza que avança e lhe atrapalha, por isso “combate” com a mesma força.

A maneira como desmontam o personagem fazendo falar de seus problemas com Clarice, a ausência de Malu, a vontade por Júlia, os medos por acreditar que causou a morte de Breno, sendo mascarada por palavras duras e ataques sem sentido.

E o que ele mais queria acontece, Dora cede. Mas não cede com ofensas, ataques, ela sede com classe, abre seu peito e sua metodologia. Mostra uma Dora desconhecida, frágil, sentimental e chega a chorar. Théo se espanta e fica mudo.

A história de dor de Dora, traída por Gabriel, mas amando-o até o último instante por livre escolha e decidida a afastar Jorge, foi dolorosa, por ela sofreu, mas faria de novo por aquele homem. Em suas lágrimas ela só pede uma coisa, nunca mais tocar neste assunto.

Por fim Théo teve o que tanto queria, entre desgostos e mágoas Dora cede e diz para ele largar tudo e correr atrás de Júlia.

Danilo Artimos
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