Sessão de Terapia: 9ª Semana (1×41 – 1×45) [Fim da Temporada]

Júlia Rebelo (1×41)

Episódio focado nas dúvidas de Théo e o desenvolvimento de sua relação com Júlia ao longo da temporada. Não ficou muito claro o motivo de suas ligações, mas pelo o que eu entendi é como se ele estivesse querendo lhe dar a boa notícia de que podem ficar juntos.

Essa falta de resposta de Júlia também é uma resposta na verdade, pois ela está em dúvidas com as coisas, e Théo agora em seu pé pode ser algo que lhe acabe fazendo mal, mas também é uma suposição.

Fato é que Théo não esperava que Clarice fosse o confrontar bem no seu momento mais frágil. Ele guardando as coisas e dizendo que está saindo um tempo para pensar, deixa evidente da escolha que fez e ela se sente traída, magoada, pois largou de ser feliz com o outro homem para dar uma chance ao seu casamento, mas parece que Théo nem cogitou isso.

Achei um episódio avulso na trama, serviu para fechar uns pontos da relação do terapeuta e Clarice e nos lembrar tudo o que passou, mas faltou algo, faltou uma emoção mais forte, foi apenas um álbum de recordações da motivação do terapeuta em tentar algo com a paciente.

Breno Dantas (1×42)

Com a morte de Breno o espaço de terça ficou vago e preencheram da melhor forma possível, colocaram um momento tenro entre Théo e sua filha Malu. As palavras de apoio ao pai, o carinho demonstrado em cada atitude, foi tudo bem dosado.

Foi bacana o gesto dela em pedir para ele voltar para dentro de casa, para parar de dormir no sofá, e que sente falta dele. Para a humanização do Théo, faltava esse espaço com a família, mesmo que a gente tenha visto como é sua relação com Clarice.

Quando a conversa convergiu para Júlia ficou visível o embaraço de Théo, mas não houve acusações ou palavras mais duras de Malu. Achei até compreensível da parte dela, mesmo que tenha ficado a favor da mãe.

O último abraço entre eles foi doloroso.

Acho engraçado o jeito como Théo está louco atrás de Júlia, a mulher não lhe responde uma ligação e ele fica insistindo, acredito que ela já tenha desistido, porque é complicado uma relação dessas.

O devaneio dele no apartamento demonstrou o quanto ele está disposto a viver aquela relação.

Nina Vidal (1×43)

Depois de tanto imaginar como seria realmente a relação entre Nina e seu pai Michel (Paulo Mikos), eis que este episódio vem para saciar essa vontade, afinal, não poderíamos terminar a temporada sem um conflito entre os dois.

A maneira como ela se surpreende com a presença do pai em frente ao consultório de Théo foi real, afinal ela não gosta dessa invasão dele. A única reclamação de Michel é o sumiço da filha, a falta de telefonemas, a maneira dela de fugir é correr para a sessão que ela acaba querendo acompanhar e novamente um conflito.

É bacana ver que a relação deles é completamente diferente da cumplicidade que ela expunha no começo da temporada, onde o pai era o seu melhor amigo, pronto para lhe ouvir, e tudo isso foi sendo desenvolvido para ela acabar se perdoando e dando uma chance de ficar mais amiga da mãe.

Théo soube agir no momento certo e deixou Michel de lado e Nina tomou coragem suficiente em assumir que o pai sempre foi ausente quando ele tentou reverter a situação. Nina agora está mais forte, mais decidida, uma evolução notável e um trabalho excelente de Bianca Müller, muito bem dirigida por Selton Mello.

Quando Michel consegue permissão da filha para ver sua sessão, ele tem na verdade uma enxurrada de verdades para cima de si, anos de negligência, ausência, medos, traumas, tudo jogado em sua cabeça, e é aí que Théo compreende que o pai deve tomar coragem para mudar e acalma Nina.

Acompanhar o crescimento da personagem foi delicioso e intimista, pois vimos todas as suas nuances, seus medos, e o crescimento para uma menina mais confiante.

Ana e João (1×44)

Carga emocional a mil, e olha que no começo do episódio Ana, João e Théo estavam tão tranquilos. A maneira como o episódio se desenvolve até culminar nas trocas de farpas, falando da falta de carinho, de ousadia e até de futuro, os personagens se mostram ainda mais amargurados.

João quer ser famoso, quer focar na carreira em Dani e acredita que Ana é quem lhe puxa pra baixo, não lhe dá apoio, só o quer como o homem dentro de casa cuidando das coisas enquanto ela consegue tudo o que quer, até mesmo Veloso.

Ana não quer nada disso, e explica que sentiu nojo em dormir com Veloso. Ela se sente magoada, tem uma vida em que acredita ser culpada por tudo, principalmente pela morte do pai, busca ficar neutra em certos momentos, e no fim acaba sempre sendo má interpretada.

Os dois viveram 10 anos juntos e não se conheceram a fundo, não tinham noção dos anseios e desejos um do outro e focaram na história de um novo filho para terem um caminho para trilhar juntos.

A parte mais dolorosa foi João falando que quer a guarda de Dani para que Ana não o estrague, que com ele o garoto poderá ter um futuro em que acredita em si. Disso tudo Ana só compreende que ela é uma péssima mãe, e é na queda dela que João tenta corrigir as coisas e volta a explicar que ela não é uma má mãe, só não dá o suporte que todos esperam.

E a relação afundou, separação está claramente decida, mesmo que esteja doendo nos dois. Ana chora e borra a maquiagem, João só a consola olhando com carinho e limpando seu rosto. O silêncio é pior do que as trocas de farpas.

Théo estava mais distante, fez uma boa mediação entre os dois, mas fica a sensação de que é pura falácia, mas ele divide bem a situação, afinal ele está passando por um processo de separação em casa, ele tem olhos para Júlia, enquanto Clarice o traiu e foi até para Roma.

Dora Aguiar (1×45)

Com elenco, direção e produção em total sintonia, chegamos ao fim de uma excelente temporada, onde a intimidade de seus personagens foram dolorosamente expostas.

Agora foi a vez de Théo abrir feridas e aceitar o fato de que não está no controle de sua vida, que tudo estava de pernas para o ar e uma transferência de sentimentos o fez tomar atitudes no impulso, sem pensar e avaliar as consequências.

Todas as tentativas de falar com Júlia acabaram em uma visita surpresa e o surpreendido foi ele, que depois de tentar convencê-la a voltar a terapia, teve jogado em sua cara que ele é um homem que está morto por dentro, que não expõe seus sentimentos e fica agindo de maneira fria, analisando tudo a sua volta.

Quando é para ir para cama com ela, ele trava, passa mal, simplesmente apaga e acaba tendo de correr para Dora e entender o que tudo isso significa. Ele está certo que agiu da maneira correta, mas teme por achar que perdeu simplesmente tudo, até um possível novo amor.

Dora simplesmente o analisa, não perde o controle como na última sessão e isso parece o angustiar mais, pois sabe que todas as respostas estão com ele. Sua solidão caminhando pelas ruas de São Paulo mostra a falta de caminho que ele sente.

O fim dessa temporada confirma a entrada de um novo nível para a produção nacional, mostrando que a nossa versão de “BeTipul” não deixa nada a dever para a americana “In Treatment”, além de revelar novos talentos, caso de Bianca Müller, e nos fazer prestar mais atenção em rostos como Selma Egrei, Zécarlos Machado, Sergio Guizé e todo o elenco.

Fica a torcida para a confirmação de uma 2ª temporada.

Danilo Artimos
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