Tirem as crianças da sala!

13 de janeiro de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Vamos falar do conteúdo infantil nas tevês (ou da falta deles). Antes de  prosseguir, quero reproduzir aqui uma nota dada pelo jornalista Flávio Ricco que me chamou a atenção, volto em seguida:

Com programação infantil combalida, TV não cuida do seu público no futuro


“A grade da Globo ficará ainda mais “adulta” em função das mudanças recentemente anunciadas na sua faixa das manhãs. A entrada do novo programa de Fátima Bernardes, como simples consequência, implicará na saída do “TV Globinho” diário, o que também culminará em um outro duro golpe na já combalida programação infantil da TV aberta.


Aos interessados, como alternativas simples, restarão Band, SBT, TV Cultura e pouca coisa na Rede TV!. Já de muito tempo diminuíram bastante os investimentos nesta área, talvez pela forte opção ou concorrência dos canais fechados, mas ainda assim não se justifica tanto desprezo. Isto, com toda certeza, terá influência no quadro futuro.


A partir deste pouco caso de agora, e se considerando apenas o que acontece nos canais convencionais, é perfeitamente lógico concluir que o telespectador de amanhã será, desde já, acostumado a buscar outros meios para o seu entretenimento, como a internet ou videogame. Isso terá influência daqui a algum tempo. É uma conta que, com toda certeza, vai sobrar lá na frente.”

Voltei:

Muito bem. Todos sabem, não é de hoje, que as tevês tem limitado sobremaneira os investimentos nesse segmento. É do conhecimento de todos, acredito, o projeto que está em curso na Rede Globo. Trata-se da criação de um programa que, embora hajam muitas especulações em torno, ninguém sabe ao certo como será. Mas sabe-se que será um programa voltado ao público adulto. Apresentado pela jornalista Fátima Bernardes ( ex JN) , cuja saída do tradicional jornal promoveu enorme gritaria na mídia especializada. O programa vem como um esforço da Rede Globo para recuperar índices perdidos no horário.

A minha crítica ao CENAABERTA trata-se do fato do site nunca ter se aprofundado nessa questão e ter se limitado ao redemoinho de notícias que envolveu a saída de Fátima Bernardes do JN e pouco se falou dessa mudança envolvendo a extinção de um programa que vinha apresentando problemas, e pouco esforço apresentado pra  resolvê-lo-culminou com a decisão de mandar pros ares o pouco de representatividade que o público infantil tinha na tela da Globo. A questão muito bem colocada pelo Flavio Ricco traz um prognóstico daquilo que será, no longo prazo, os prejuízos desse projeto de deixar de lado o público infantil. Consequência inevitável será a de um público que, desde cedo, perderá o hábito de assistir televisão. Nesse sentido, me parece, é uma medida contraproducente.

A Rede Globo enviou nota à imprensa justificando a decisão dessa reformulação na grade matutina. A alegação é que essa mudança está sendo feita para, segundo suas próprias palavras, “adequar a grade de programação ao seu público”. Ninguém perguntou se o público infantil, por acaso, não é o seu público. Muito, muito ao contrário….

O que vi no CENAABERTA foi um verdadeiro redemoinho de notícias levantando a bola da senhora Bonner (não que ela não mereça) e nenhuma vírgula, repito, nenhuma sobre a futura porém já anunciada oficialmente, extinção da Tv Globinho. Por quê não se fez nenhuma digressão sobre o fato óbvio de que, a grosso modo, a iniciativa da Rede Globo é um atestado de fracasso no sentido de produzir conteúdos que façam o público infantil ficar na frente da tela??? Acredito que o Endrigo tenha vindo de uma geração que cresceu assistindo grandes produções infantis como Xuxa, Eliana, Mara, Tv Colosso. Eram produções que recebiam investimentos e os investimentos iam muito além de simplesmente colocar desenhos animados na tela. Eu também cresci assistindo muito dessas produções. E nossas crianças não merecem maior investimentos das emissoras assim como nós o merecemos???

Olhando por esse ângulo é que acho que o CENAABERTA, movido por uma avalanche de notícias envolvendo a saída de Fátima Bernarde do JN, deixou de falar sobre o que acontecia do outro lado da rua. Passa-se assim, em brancas nuvens, a principal mudança estrutural que ocorreu e ocorrerá nesse imbróglio todo. Ao meu ver, à despeito de todos os fogos de artíficio deflagrados pela saída da jornalista do principal telejornal brasileiro- a notícia mais importante se passa do outro lado,a saber: a extinção de um programa que certamente vai deixar muitos órfãos. Se as crianças são mesmo o futuro de uma nação, na televisão essa regra não se aplica.

em tempo: justiça seja feita ao SBT que tem tido a atitude louvável de sempre, apesar dos contratempos, investir nesse público.

Um abraço e até a próxima.

* por Ary Nunes, ombudsman