A tragédia da Região Serrana e a humanidade da mídia

por Emanuelle Najjar

Em uma situação normal, diria-se que as notícias de enchentes e alagamentos são algo que se vê todos os anos. Porém, 2011 começou diferente, trazendo de imediato aquela que já é considerada a pior tragédia climática do país.

Em um acontecimento do qual não exatamente pode se chamar de tragédia anunciada – por mais em que alguns lugares isso seja realidade – já foram encontrados mais de 500 mortos. Uma estatística com números rasos, pois com a instantaneidade dos meios de comunicação não convém a um blog fazer tal contagem. O cenário do pesadelo foi a região serrana do Rio de Janeiro, nas cidades de Nova Friburgo, Itaipava, Teresópolis, Sumidouro, Petrópolis, São José do Vale do Rio Preto, Bom Jardim e Areal. Municípios devastados onde se precisa de tudo que se possa imaginar.

Mais do que simplesmente assistir a TV no conforto de sua casa e ouvir alguns entrevistados dizendo terem perdido tudo, como já virou um hábito do qual poucos sentem algo ao assistir. Trata-se de populações inteiras onde não há mais distinção econômica. Contrariando quem gosta de falar em “social” e promover uma separação imediata pelo suposto número de zeros em contas bancarias, a devastação foi democrática, atingindo tudo em seu caminho.

Tudo isso foi um material e tanto para os meios de comunicação que, diferente do velho estereotipo de exploradora da miséria alheia, puderam provar serem capazes de emocionar sem distorcer, sem espetáculo.

Na cobertura das chuvas, por incrível que pareça, não vi nenhum exagero. Nada com apelo humano além dos limites estabelecidos pelo bom senso. Todos os telejornais, especialmente o Jornal Nacional tiveram material suficiente para fazer seu público chorar sem que fosse necessário um apelo visível para tal. A tragédia em si era suficiente para qualquer comoção, sem nada que estivesse além da pura e simples realidade. Um cenário onde até mesmo os próprios repórteres conseguiram provar o que parecia muito indistinto para o público: sua própria humanidade.

Afinal eles também choram, se assustam, são feitos de carne e osso, por mais que ainda sejam capazes de perguntar para cada um dos desabrigados o que ele está sentindo naquele momento. Um velho clichê, ainda necessário, imerso em mais contextos do que nunca.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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