TV Paga e Banda Larga: a expansão começou há tempo, mas e a credibilidade?


Com a expansão da classe C, muita coisa parece ter mudado no cenário do consumo. Aquilo que durante muito tempo pareceu ser algo inalcançável passou a ser de acesso comum. Aquilo que parecia ser luxo disponível a apenas uma classe tornou-se alcançável e alguns antigos modelos de consumo acabaram caindo, porém outros, embora tenham seguido a linha da popularidade, permanecem com seus modelos antiquados, pelo menos no Brasil.

Esse é o caso da TV paga e da Internet banda larga no Brasil, que vem caminhando praticamente juntas. O crescimento é notável especialmente quando levamos em consideração que os preços ficaram bem mais acessíveis. O problema é que seu modelo de venda está longe de ser considerada vantajosa para os consumidores. Claro, antes de tudo, tente não manter uma comparação imediata com os serviços oferecidos em outros países, nos quais a diferença será tão gritante que a vontade de fazer um facepalm será imensa.

Neste caso, voltemos ao cenário brasileiro. No caso da TV paga, o modelo básico é o de assinar um pacote com números determinados de canais. Opções essas que passam longe de ser opção do consumidor, mas sim das operadoras: uma quantidade absurda. Claro, parece bom ter opções, mas não seria mais viável poder ter aquilo que pode consumir? Pela lógica normal do bom consumo, não é algo que faça sentido, e sem contar que diante da tecnologia atual isso seja completamente obsoleto: tendo acesso a uma boa conexão de internet, quem precisa se prender?

Já a Internet é um outro caso. A Banda Larga é algo capaz de tirar muita gente do sério, especialmente no que diz respeito ao atendimento. Afinal tudo fica as mil maravilhas quando o negócio é assinar e é na hora do problema que as coisas passam a acontecer, ou não. Como dizem: no “pega-pra-capá”. E claro, isso em qualquer hipótese viola outra lógica importante do comércio: não é preciso oferecer qualidade e bom atendimento para se sobressair?

Os preços são quase iguais. O diferencial é justamente aquilo que deveria ser básico. Se ambas pecam justamente no essencial, qual será o futuro?

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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