Vale Tudo: Raquel é que era mulher de verdade… ♪♫♪♫

25 de janeiro de 2011 0 Por Endrigo Annyston

O que você faria se sua filha te deixasse na rua, somente com seus pertences que eram mantidos em sua antiga casa? E se após ir ao encontro dela, descobrisse que ela não estava nem ai pra você, o que ela quer é “subir na vida”, custe o que custar?

Raquel, personagem da novela Vale Tudo, muito bem interpretada por Regina Duarte, viveu tudo isso na trama em menos de dois meses. E o que ela fez? Foi à luta! Percebendo que sua filha estava nem ai com sua situação, decidiu vender sanduíche na praia para conseguir sobreviver no Rio, onde foi atrás da mesma. Devido ao sucesso, uma coisa foi levando à outra e começou a cozinhar em um bar, que devido ao seu talento acabou virando um restaurante. Mais eis que sua filha volta a engana – lá, e consegue lhe roubar e separá-la de seu novo amor. Nessa fase muitos não conseguem entender como a personagem pode ser tão perfeita, e não querer aqueles dólares achados na mala trocada de seu finado ex-marido, mais Gilberto Braga explica um pouco sobre essa isso no livro Autores – Histórias da Teledramaturgia:

“… todo mundo pedia pra Raquel ter algum deslize. Aguinaldo, Leonor  e eu nos reunimos e conversamos seriamente sobre o assunto. Nós três achávamos que a Raquel não podia ter deslizes: se ela tivesse, nós não teríamos novela. Deixamos o público reclamar até o final, porque Vale Tudo se baseava nessa posição: mãe honesta e filha desonesta…”

Raquel descobre a armação de sua filha e cansada de tanta mentira e falsidade resolve denunciar, mais se surpreende ao perceber que o mundo onde ela começou a viver é tão sujo quanto às atitudes dela. Cansada de tudo isso, ela decide que vai vencer na vida também, mais não casando com marido rico e nem roubando dólares desviados de empresa milionária, e sim usando o seu talento e deixando pra trás o que mais lhe causou decepção: Maria de Fátima.

A Raquel é assim: ao mesmo tempo ingênua, humilde, tem uma garra dentro de si na hora da crise. É guerreira, batalha pelo que acredita, e se posiciona sem passar por cima de ninguém, usando sua talento e força. É assim que é mostrada a determinação de uma mulher de classe média baixa na trama. Um exemplo a ser seguido. E como diz a música Desconstruindo Amélia da Pitty:

“…vira a mesa, assumi o jogo, faz questão de se cuidar. Nem serva, nem objeto, já não quer ser o outro, hoje ela é um também”.


* do internauta Guilherme Rodrigues