Quando os reprises não significam “mais do mesmo”

por Emanuelle Najjar

E eis que o passado nem sempre deve ser esquecido. Ok, sei que esse texto está bastante filosófico, mas lembre-se de que estamos discutindo aqui um outro tipo de universo: ficção.

Não sei se alguém se surpreenderia com o fato de que a reprise de “Vale Tudo”, em um horário digamos “fora de mão”, se tornou líder de audiência do canal VIVA. Sim, a reexibição de uma novela que originalmente foi ao ar em 1988. Novela de uma época em que poderia estar fora de cogitação por questões técnicas como a precária qualidade de imagem se comparada a atual, onde falamos em tv digital.

O que pode explicar o panorama?

Você pode argumentar que o público que assiste a TV aberta e a TV paga são muito diferentes e não devem ser comparados, começando por fatores pelo poder aquisitivo e o alcance que seus gostos tomam em ambientes de mídia social, ou veículos alternativos a grande imprensa. Porém o fato aqui é de que estamos falando em uma trama clássica, de uma narrativa diferenciada, e um tema atualíssimo especialmente em tempos de corrida eleitoral: ética.

Entre espectadores de diferentes classes econômicas e que tem as novelas como uma forma de lazer, “Vale Tudo” é praticamente unanimidade: uma trama com narrativa e linguagem diferenciada, ousada. Uma obra prima inesquecível.

O que explicaria um reprise ter proporcionalmente mais sucesso que uma trama inédita? Talvez a carência de um público ávido por uma boa história, se decepcionando por uma coisa ou outra, cansado dos velhos clichês mas com os pudores de uma era onde qualquer coisa veiculada poderá ser taxada de amoral. Telespectadores que cobram ousadia, mas rejeitam o diferencial, e mesmo assim dizem que a criatividade do pobre autor se esgotou quando sua história parece seguir uma mesma linha. Público esse difícil de agradar. E pior dilema que isso é reinventar a roda.

Isso seria possível?

Reinventar a roda ou o público?

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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