A volta do Cidade Alerta: que venham as câmeras e os urubus

A bomba da semana sem dúvida foi a volta de Datena para a Record. Ok, pode ser a bomba e o bafo da semana, mas também não era nada que já não fosse esperado.

Nos últimos tempos a trajetória do apresentador não era marcada exatamente pela estabilidade em seu local de trabalho. Não por suas andanças e negociações que o levavam a escutar uma proposta ou outra mas sim pela frequência com que isso lhe era oferecido, e claro que nas últimas semanas a frequência com que essas informações vinham a público já não deixavam mesmo grande dúvidas.

Que ninguém se engane: ele merece as propostas de trabalho que tem. Ele é o melhor no que faz e o retorno do seu trabalho provavelmente vale os investimentos feitos diante da promessa de um público cativo. Ignore sua má fama e seu modo ranzinza de ser no trato com seus colegas enquanto está no ar. Datena é um bom investimento, mas o que sua presença significa dentro da Record?

Significa um monte de coisas não necessariamente boas.

Não falando contra o seu trabalho, mas significa uns bons passos para trás em relação a tudo que a emissora quis ser. Ignore o fato de que o apresentador saiu brigado da emissora – aliás, quase todo mundo que sai de lá sai brigado, mas ok, esse não é o tema. O fato é que o Cidade Alerta, programa do qual Datena era o rosto e a voz, foi extinto por dois motivos: audiência abaixo da esperada e também por estar abaixo do padrão de qualidade desejado da Record. Agora com sua volta, o que podemos dizer?

Há algum tempo a linha editorial da Record investe em crimes para fisgar sua audiência. Crimes no café  da manhã, no almoço, lanche da tarde e jantar. São operações policiais e crimes banais contados em seus mínimos detalhes em programas de tanto apelo humano que faz a definição comum de sensacionalismo se esvair. Isso passa longe de ser um padrão de qualidade comum. E agora que o Cidade Alerta volta ao ar na segunda feira (20/06) das 17h às 19h30 com o seu novo velho apresentador para tentar alavancar sua faixa nobre, para onde esse padrão foi? Que critérios de qualidade são esses?

Talvez esse seja mais um dos mistérios mais bem guardados da humanidade, tal como a origem da paciência e do sangue frio do telespectador para aguentar demagogia disfarçada de senso de justiça. Tudo isso vociferado por horas a fio e sem descanso maior do que os minutos dos intervalos comerciais.

O fato é que o mundo cão é bastante lucrativo, não somente para o lado dos bandidos. Os urubus e as câmeras sempre estarão à espreita em busca de sua parte da carniça.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



2 comentários em “A volta do Cidade Alerta: que venham as câmeras e os urubus”

  1. essa record é uma merdaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    humm tv de primeira?????
    jornalistmo de primeira…
    essa record deveria ir a falência…
    oh canalzinho mediocre..

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