Xuxa: 25 anos de Globo e de seu reinado inabalável

1 de julho de 2011 0 Por Endrigo Annyston
Embora a televisão pareça um meio tão fugaz, há figuras que foram feitas para permanecer e entrar definitivamente na história. Não importa se seja uma pessoa ou um personagem. Independente de toda construção que a mídia fez e faz, ela está ali e permanecerá para o bem ou para o mal. Esse parece ser o caso de Xuxa.
Xuxa Meneghel, a rainha dos baixinhos está comemorando 25 anos na TV Globo. Uma carreira bastante intensa e de altos e baixos. Embora na verdade ela tenha estreado em 1983 na falecida Manchete no Clube da Criança, foi na Globo que ela alcançou seu auge e definitivamente fez história, seja na TV brasileira ou para os baixinhos que um dia possam tê-la acompanhado. Eu fui uma delas. Era a época onde a televisão teve o status de babá eletrônica e é claro que os programas infantis não escapariam disso. Não posso ignorar também que Xuxa foi a minha primeira palavra e que as lembranças de minha infância, além dos heróis da Manchete ou do Chaves no SBT tinham a ver com a Nave Mãe, com Dengue, Praga, Paquitas e duelos de meninos e meninas.
Durante minha infância fui consumidora de seus produtos. Filmes, merendeira, revistas em quadrinhos e brinquedos. Lembro de muitos atores que estão em cena hoje que estiveram ao lado dela como parte das Paquitas e Paquitos. Uma das minhas preocupações nos meus poucos anos de vida era perguntar quem havia ganho as brincadeiras no dia, afinal eu estudava neste horário. Lembro do Xou da Xuxa, do Xuxa Park e do Xuxa Hits mas no decorrer do caminho meu gosto foi declinando assim como a audiência gerada por seu nome embora não acho que seja justo falar em decadência.
Hoje, não assisto nenhum de seus programas – o que me limita caso precise falar a respeito – embora tenha acompanhado sua carreira. Lembro do fim da parceria de anos com a empresária Marlene Mattos e de sua volta para o público infantil, do qual a apresentadora sempre preferiu. De minha parte, não assisto por falta de interesse. Meus gostos mudaram assim como muita coisa na vida muda no decorrer do caminho e não faço questão de mudar este fato a troco de alguma fidelidade afetiva.
Prefiro conservar as lembranças do seu apogeu trash – tão trash quanto sua época – a despeito de tudo que foi insinuado desde lá até hoje – desde seu filme em início de carreira, lendas urbanas e zoações sem fim – sem me importar com tudo que possa ser dito a esse respeito. Não renego um passado de fã, não nego a ideia de que ela é boa no que faz embora as crianças de hoje estejam longe de ser aquelas nas quais o encantamento era instantâneo.
O que importa é que, 25 anos depois, ela segue firme e forte, sendo uma das minhas lembranças mais fortes de infância e fazendo com que muitos outros possam dizer o mesmo no futuro.
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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)