Sob Pressão

Conheça a história e os personagens da segunda temporada de Sob Pressão

Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro. O hospital Luis Carlos Macedo está lotado, e, pelos corredores, se espalham inúmeras macas e pacientes. Diante da falta de estrutura e da precariedade do ambiente, ainda é o desejo de salvar vidas que move a dupla de médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano), em ‘Sob Pressão’. Na segunda temporada da série, o inimigo está mais próximo. A corrupção chega sorrateiramente e dificulta ainda mais a vida dos médicos.

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Sob nova administração, o hospital público se torna alvo da ambição e do oportunismo de Renata (Fernanda Torres), que passa a ocupar o cargo de Samuel (Stepan Nercessian), antigo diretor do local. Aos poucos, o mecanismo estabelecido por ela – aparentemente inofensivo – toma conta do ambiente, transformando a vida de todos que estão por ali.

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Com direção artística de Andrucha Waddington e direção de Andrucha e Mini Kerti, a série ‘Sob Pressão’ é uma coprodução da Globo com a Conspiração Filmes. A segunda temporada tem estreia prevista para outubro e conta com supervisão de texto de Jorge Furtado e redação final de Lucas Paraizo, que escreve os episódios com Antonio Prata, Marcio Alemão e André Sirangelo.

A nova gestão do hospital em Sob Pressão

É a partir da chegada de Renata que a corrupção se enraíza de vez no hospital de ‘Sob Pressão’. Nomeada pelo Governo, ela traz consigo a promessa de transformar a emergência do “Macedão” em referência nacional. Entretanto a nova diretora se depara com uma realidade diferente e, a partir das tantas melhorias prometidas, cria esquemas em benefício próprio, que podem ser fatais para ela, para os pacientes, para o hospital e para toda a equipe.

Segundo o autor Lucas Paraizo, Renata é o retrato de um gestor ambicioso. Ela tem uma pequena pretensão em tirar proveito da nova função, mas, à medida que a série se desenvolve, percebe que optou por um caminho cheio de obscuridades. “Renata vem com um olhar dos hospitais particulares, mas ali se trata de saúde pública, uma realidade e um sistema que ela não sabe gerir. Ela começa, então, a usar de meios obscuros para conseguir o que pretendia e dar conta de sua ambição”, conta Lucas.

Fernanda Torres, que dá vida à personagem, concorda e afirma que Renata não começa acreditando que se trata de corrupção. “Quando eu cheguei às primeiras leituras, havia a dúvida se ela era vilã ou não. Foi um trabalho interessante. Fizemos um arco para ela ser uma pessoa com ambições no mundo da saúde, que tem uma vida muito bem-sucedida como gestora de hospitais privados, e é chamada para resolver a situação desse hospital – o Macedão. Só que a Secretaria de Saúde não tem dinheiro para pagar seu salário. É quando ela aceita entrar ‘no esquema’ para igualar o que ela ganhava no setor privado. Renata é uma pessoa que vai sendo enredada porque é ambiciosa e começa achando que não é tão grave. E uma hora fica gravíssimo”, pontua Fernanda.

A chegada

Sua chegada, inicialmente, causa espanto aos médicos e funcionários, que não entendem o motivo da mudança na direção do hospital. Mas, à medida que consegue implementar melhorias na unidade, ela vai conquistando a confiança de todos, inclusive a de Evandro (Julio Andrade). “No início, ele acredita que a Renata é apenas uma burocrata, que não entende o que é o dia a dia daquele lugar. Mas ela entende de gestão. A emergência do hospital é boa, mas precisa de melhorias. Renata, então, começa a aparelhar o hospital e inaugura um novo CTI, por exemplo. Então, tem uma hora em que eles começam a acreditar na função dela”, completa Fernanda.

Quem logo se rende às artimanhas de Renata é o ortopedista Henrique (Humberto Carrão). Novo na equipe de médicos, ele não se conforma em ganhar pouco diante das condições precárias de trabalho no hospital. Para compensar o dia a dia intenso, ele aceita receber comissão a cada prótese utilizada em seus pacientes, mesmo sem necessidade. Segundo o autor, a trajetória de Henrique reforça a narrativa da corrupção dentro do enredo da segunda temporada. “Ele vai ter um arco muito importante. É alguém que entra com muita ambição e que vai se tornar uma pessoa melhor quando se deparar com a realidade da rede pública. Aos poucos, ele entende que a corrupção acaba com sua própria dignidade”, adianta Lucas.

Esquema

Entender como funciona o sistema de saúde pública foi o primeiro passo dado pelo ator Humberto Carrão na composição do personagem. Fazendo uma análise mais profunda, o ator acredita que não foi somente a ganância que influenciou o envolvimento do médico nos esquemas de Renata. “O Henrique, por perceber que ali não tem tudo de que precisa, acaba cedendo aos esquemas. Mas não é só por isso. Por uma questão ética e de caráter também. Pensando no Henrique, a temporada acaba sendo, de certa forma, uma curva de transformação, de percepção do personagem”, avalia.

Carolina e Evandro, um casal de heróis

Um casal de heróis. É dessa forma que Lucas Paraizo define a dupla de médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano). Os dois voltam mais unidos do que nunca e provam que o amor é capaz de curar as feridas do passado. Mas essa união passará por novas provações. “A gente vai continuar apostando nesses personagens. Essa série é muito baseada nesses dois heróis. Evandro e Carolina se curaram na primeira temporada e, agora, novos eventos colocam os dois em dilemas muito importantes. Eles têm dramas e crises, muitas vezes, tão fortes quanto os dos pacientes que atendem”, ressalta Lucas.

Além da cumplicidade no dia a dia profissional, na vida pessoal eles precisam um do outro. Os dois fazem votos e trocam alianças numa cerimônia simples realizada no cartório, sob o testemunho apenas de Samuel (Stepan Nercessian). Mas a tão esperada lua de mel parece estar longe de acontecer. Entre uma urgência e outra, eles precisam lidar com os obstáculos da saúde pública, com questões antigas que voltam a atormentar, e com os dilemas éticos que aparecem nesta temporada.

Marjorie Estiano, que dá vida a Carolina, acredita no amor e cumplicidade dos dois, e define a relação quase como um porto seguro. “Carolina é muito forte, mas, como qualquer um, tem seus pontos fracos. Ela certamente vai se deparar com momentos muito difíceis e vê no Evandro um amparo. Eles podem se ajudar mutuamente. É através desse amor um pelo outro que terão mais um motivo para superar os traumas e descobrir outras formas menos nocivas de lidar com o sofrimento e a angústia”, explica.

Julio

Julio Andrade também não duvida da força do amor entre os dois, mas acredita que eles ainda precisam evoluir individualmente para que consigam, de fato, levar uma vida a dois. “A relação deles é conturbada porque eles ainda precisam se encontrar e se conhecer como indivíduos. Ambos têm anseios e questões pessoais que ainda não foram resolvidas e que interferem nessa relação. Mas eles têm um amor muito grande, uma adoração intensa um pelo outro, o que faz com que queiram ficar juntos”, define Julio.

As histórias dos pacientes e os temas sociais

Os pacientes que chegam à emergência do Macedão em busca de socorro carregam consigo os temas sociais que mais afligem a sociedade brasileira. “Saúde pública é uma das maiores preocupações da nossa população. Mesmo quem tem plano de saúde e, a priori, não utiliza o sistema público, em muitas situações, acaba ali dentro. Então, a temática atinge de A a Z. Por isso a série provoca uma identificação muito grande em todo o público”, analisa Andrucha Waddington.

Marjorie Estiano, que interpreta a cirurgiã Carolina, destaca que: “’Sob Pressão’ é um trabalho que fala especialmente do Brasil. Tem muita objetividade dentro da dramaturgia, que, através do entretenimento, fala de política, cidadania, cultura, educação, saúde… O público brasileiro se sente retratado”.

Elogiada pelo público e pela crítica, a narrativa da série ganhou notoriedade internacional logo na primeira temporada, sendo exibida em festivais como Berlinale (Berlim) e TIFF (Toronto). ‘Sob Pressão’ ganhou ainda quatro prêmios no 31st Festival International de Programmes Audivisuels, realizado em janeiro deste ano em Biarritz, na França: melhor série; melhor interpretação feminina e masculina (para Marjorie Estiano e Julio Andrade, respectivamente); e melhor roteiro. A série já foi licenciada para Portugal, Emirados Árabes, Catar, Itália, Egito e Equador, entre outros.

Reconhecimento

Para Andrucha, ver esse reconhecimento faz o trabalho ser ainda mais recompensador: “É uma honra ter um projeto tão brasileiro, que fala das mazelas do nosso sistema de saúde pública, encontrar reconhecimento internacional e estar presente em festivais pelo mundo afora. Poder abordar esse tema tão importante fazendo entretenimento traz o sentimento de realização, de dever cumprido”.



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